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Um país menos desigual: pobreza extrema cai a 2,5% da população

publicado  em 18/12/2015 17h59
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) foram divulgados em novembro pelo IBGE

Brasília – A pobreza extrema no país caiu a 2,5% da população em 2014, menos que a terça parte do percentual da população que vivia nessa condição em 2004, no início do Programa Bolsa Família. A tendência de queda da extrema pobreza nos últimos anos foi confirmada na análise dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado mostra que o Brasil já cumpre meta de extrema pobreza dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. “Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável colocam em 3% a meta de extrema pobreza a ser atingida em 2030. Mas é óbvio que o Brasil ainda tem muito a fazer, muita desigualdade a reduzir, muito a melhorar com relação à pobreza”, afirma a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

No período de dez anos, a queda da extrema pobreza foi mais acentuada entre crianças de até 5 anos de idade, justamente onde era mais alta. O percentual caiu de mais de 14% para cerca de 5% da população na faixa etária da primeira infância, definida como prioridade nas ações do Plano Brasil Sem Miséria.

A taxa de pobreza no país também manteve a tendência de queda no país. Em 2014, alcançou 7,3% da população, o que representa uma queda de quase 70% em relação a 2004. Os avanços sociais registrados em 2014 também aparecem na melhor distribuição da renda no Brasil, medida pelo índice de Gini. Considerado o conjunto dos rendimentos dos domicílios, esse indicador chegou a 0,494. O índice varia de 0 a 1 e reflete maior igualdade quanto mais próximo de zero.

“O conjunto dos indicadores mostra um Brasil que avança do ponto de vista da renda, do acesso, da cidadania e dos bens”, destacou Tereza Campello. “Os três indicadores de redução de desigualdade de renda mostram que a gente continua avançando na redução das desigualdades. É uma redução da desigualdade consistente, sistemática, sustentável, que não só permaneceu no governo do presidente Lula, como alcança patamares históricos, com o Brasil Sem Miséria e o governo da presidenta Dilma.”

O crescimento do rendimento médio dos domicílios foi importante para a queda da desigualdade de renda. “A renda da população vem melhorando, de todos vem aumentando, mas a renda dos mais pobres aumenta. E mostra que a gente vem conseguindo reduzir a desigualdade no Brasil”, afirma a ministra.

Uma análise do rendimento médio mensal por pessoa mostra que a renda cresceu em todas as faixas de renda da população. Em média, o rendimento domiciliar per capita cresceu 2,4%. A parcela dos 10% mais pobres da população registrou o maior aumento, de 6,2% – quase três vezes a variação da renda dos 10% mais ricos.

De acordo com a Pnad, a redução da desigualdade e da pobreza no Brasil foi acompanhada por melhoria em indicadores de educação e acesso a bens e serviços. A pesquisa mostra aumento do número médio de estudos no Brasil e da taxa de escolarização, sobretudo na pré-escola. O acesso a bens como televisão, geladeira e fogão está praticamente universalizado no país. Cresceu o número de carros e de telefones celulares. Pela primeira vez, a parcela de pessoas com acesso à internet passou de 50% da população (54,4%), com crescimento de mais de 11% em relação a 2013.

As ações do governo federal, como o Bolsa Família e o Plano Brasil Sem Miséria, também conseguiram reduzir a pobreza entre as pessoas que mais sofriam com ela: a população negra e os moradores da área rural. De 2002 a 2014, a pobreza entre os negros diminuiu 71,7%. Das famílias inscritas no Cadastro Único do Governo Federal, dois terços são chefiadas por negras ou negros, o que possibilita que acessem mais de 20 políticas públicas, como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Na área rural, a miséria também vem sendo superada. Em 12 anos, a queda da extrema pobreza foi de 65,2%, fruto de diversas iniciativas que garantiram acesso a insumos e recursos, assistência técnica e ampliação do mercado.