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29/06/2020

Entrevista com o Secretário Geral e Procurador da Cruz Azul no Brasil

Egon Schlüter


1.      O que representa a Cruz Azul na atualidade?

A Cruz Azul no Brasil tem conseguido dar sua contribuição na atual política pública sobre o álcool e outras drogas através de uma equipe que conta com 20 profissionais contratados e 500 voluntários, que estão à frente dos vários programas continuados de prevenção, grupos de apoio e mútua ajuda, educação continuada, atendimento psicológico, defesa de direitos, assessoramento e edição. A possibilidade de oferecermos um leque de serviços de forma periódica e continuada tem feito a diferença nas vidas de milhares de pessoas que são alcançadas anualmente.

2.      No aniversário da Cruz Azul o que mais foi objeto de comemoração?

Neste aniversário de 25 anos, foi marcante o alcance de dependentes e familiares através do trabalho de grupos de apoio e mútua ajuda, onde na solenidade realizada em 23 de junho, um vídeo trouxe o relato de pessoas que foram – e estão sendo – beneficiados por nosso trabalho. Agradecemos também à equipe multiprofissional que está à frente do trabalho, com formação e experiência na área, nos diversos programas de atendimento, onde através de parcerias e doações, o trabalho é realizado de forma continuada com a manutenção desta equipe.

3.      Quais os desafios da Cruz Azul para o futuro?

Alcançar todas as regiões do Brasil. As regiões norte e centro-oeste são alvos dos trabalhos com grupos de apoio e capacitação das comunidades terapêuticas. Este ano, como o apoio da Senapred, por meio do Edital de Grupos de Apoio, estamos alcançando de forma mais efetiva a região nordeste do Brasil. A necessidade de oferecer serviços de qualidade e consistência na modalidade online é um desafio atual muito presente e também uma necessidade histórica.


4.      No momento atual, com a Covid-19, como a Cruz Azul está funcionando?

Estamos nos adaptando quase que semanalmente aos novos fatos e situações que se apresentam com a pandemia, que é muito dinâmica. Começamos já em abril com a redução de jornada de trabalho e salário, e também a suspensão de alguns contratos de trabalho. Até o mês que vem, estamos com praticamente 50% da jornada de trabalho de todos os colaboradores.  As ações presenciais em grupos, que são essenciais no trabalho de prevenção, grupos de apoio e capacitação estão todos suspensos desde março. Estamos ainda desenvolvendo algumas atividades e atendimentos online.

5.      Quais impactos a Cruz Azul observou até o momento com a referida pandemia?

Percebemos o aumento do consumo do álcool e outras drogas, bem como alta na procura por atendimento psicológico pelas famílias com problemas decorrentes do uso nocivo ou dependência de membros que fazem contato conosco. Já são quase 90 dias de distanciamento social, isso aumenta a necessidade do atendimento pessoal, seja individual como em grupo, visto que o isolamento das pessoas com problemas com álcool e outras drogas é fator de risco grande, um desafio constante do nosso público. Pois o contato pessoal, a mútua ajuda, é um fator de prevenção e de manutenção da abstinência muito estratégico.

6.      Qual a abrangência da Cruz Azul no Brasil?

Atuamos de forma mais intensa na região Sul do Brasil com o trabalho de grupos de apoio e mútua ajuda e capacitações. Na área das políticas públicas, estamos conseguindo atingir todo o Brasil de forma muito relevante. Junto com a CONFENACT, temos conseguido dar contribuição na qualificação e ampliação da legislação de política sobre drogas e a ampliação do financiamento público da rede privada (entidades sem fins lucrativos) que atua fortemente na atenção, reinserção social e prevenção. Desde o ano passado, estamos atingindo mais a região Nordeste do Brasil com o trabalho de capacitação de grupos de apoio, o que deverá ampliar neste ano com o edital da Senapred. Considerando a diversidade dos serviços prestados, a abrangência é nacional.

7.      Quais são os valores que a Cruz Azul tem agregado com seu trabalho?

O compromisso com as pessoas e famílias que sofrem com o consumo nocivo e dependência do álcool e outras drogas, com a VISÃO DE SER HUMANO INTEGRAL, é um valor que acompanha o trabalho desde a fundação da rede Cruz Azul, tanto no Brasil quanto mundial. Atender as necessidades das pessoas em suas várias áreas – corpo, alma e espírito – e poder contribuir na transformação dos indivíduos que superam o consumo nocivo e a dependência é altamente gratificante. O trabalho ético, profissional e técnico, alicerçado nos princípios e valores cristãos, tem tido resultado e motivado as pessoas a somarem na missão da Cruz Azul.

 8.      O que o motiva a trabalhar este tema?

Poder alcançar e ajudar pessoas que estão numa situação de extrema vulnerabilidade em função do álcool e outras drogas, vendo a transformação por que passam, é algo gratificante e motivador. E também o fato de que minha família foi ajudada por este trabalho há muitos anos. Carregar esta gratidão e alegria por ter uma vida de qualidade é muito significativo.

 9.      Como o OBID pode ajudar neste seu trabalho?

O OBID como fonte de informações de pesquisa de conteúdo na área da política sobre o álcool e outras drogas tem um papel muito relevante no trabalho da Cruz Azul, onde temos uma necessidade constantes de dados, levantamentos e pesquisas. Termos um portal como o OBID, que reúne informações do segmento, sendo uma fonte segura com foco em evidências científicas, dão uma segurança relevante para os nossos diversos programas de atendimento.

É Secretário Geral e Procurador da Cruz Azul no Brasil. Graduado em Direito Empresarial pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB-OAB-SC) e em Ciência Contábeis pela mesma instituição. Especializado em Dependência Química e Comunidade Terapêutica pela Faculdade Luterana de Teologia (FLT-Brasil). Professor de Legislação  do Terceiro Setor (FLT-Brasil); ministrou cursos e palestras relacionadas às comunidades terapêuticas; elaboração e avaliação de projetos sociais; Gestão de Instituições do Terceiro Setor (ONG, OSCIP e OS) e entre outras áreas.  Em atividade voluntária atuou como Membro da Assembleia Geral e Conselheiro Fiscal da UNIÃO CRISTÃ (Associação Social e Educacional); Membro do Conselho Municipal de Entorpecentes de Blumenau (COMEN); Membro da Diretoria (Secretário) da Confederação Nacional das Comunidades Terapêuticas (CONFENACT).