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Brasil terá alta de 104% na produção de peixe graças a políticas públicas e investimento

PESCA E AQUICULTURA

Políticas públicas criadas especificamente para o setor e investimentos comprovam que país pode ser potência importante na pesca e aquicultura
publicado  em 20/07/2016 15h05
Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil deve ter o maior aumento na aquicultura e produção de pescado da América Latina na próxima década, com uma alta de 104% até 2025, superando o México (54,2%) e a Argentina (53,9%). O crescimento no país se deve às políticas públicas e aos investimentos feitos no setor nos últimos anos, segundo o novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado neste mês de julho.

 “A FAO acompanha de perto o crescimento do setor pesqueiro no Brasil. As políticas públicas criadas especificamente para o setor e os investimentos comprovam que o país pode ser também uma potência importante na pesca e aquicultura. Sabemos que a demanda por esses produtos tendem a crescer e por isso é necessário que os países invistam cada vez mais nessa área como vem ocorrendo no Brasil”, ressalta o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

A entidade destaca que, durante a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), celebrada na Itália em 2014, foi aprovada a Declaração de Roma e o Marco de Ação, nos quais os líderes mundiais presentes reiteraram seu compromisso de estabelecer e aplicar políticas destinadas a erradicar a má nutrição e transformar os sistemas alimentares a fim de disponibilizar dietas nutritivas para todos. Na conferência, foi reforçada a importância do pescado e dos produtos alimentícios marinhos como fonte de nutrição e saúde para numerosas comunidades, que dependem das proteínas e micronutrientes essenciais que esses alimentos contêm, em particular mulheres em idade fértil e crianças pequenas.

Crescimento beneficiará toda a região - O estudo O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2016 (Sofia) – Contribuição à Seguridade Alimentar e à Nutrição para Todos  estima que o cenário positivo para o Brasil também se reflete na região da América Latina e Caribe, que deve ter uma expansão importante na produção aquícola, podendo atingir 3,7 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 39.9% em relação a 2013-15, período em que foram produzidas, em média, 2,7 milhões de toneladas.

Em âmbito global, a produção deve crescer até alcançar 195,9 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 17% em comparação a produção de 2013-15, de 166,8 milhões, após 2014 registrar pela primeira vez aumento na produção aquícola para o consumo direto em relação às capturas por pesca.

Isso significa que no ano 2025 o mundo vai produzir 29 milhões de toneladas a mais de peixe que em 2013-15 e quase todo esse aumento vai acontecer nos países em desenvolvimento, por meio da aquicultura.

“Dessas 29 milhões de toneladas, a América Latina e Caribe pode responder por quase três milhões de toneladas”, explicou Alejandro Flores Nava, oficial principal de Pesca e Aquicultura do Escritório Regional da FAO para ALC.

Do total de 4,6 milhões de embarcações pesqueiras em âmbito global, a América Latina e Caribe responde por 6%, cerca de 90% dos quais tem menos de 12 metros de cumprimento. Segundo o Sofia, as exportações regionais de produtos de pesca estão crescendo de forma mais acelerada que as importações.

“Mesmo que ainda estejamos longe da produção da Ásia, a América Latina e Caribe começou a se consolidar como uma região exportadora de produtos pesqueiros e aquícolas para o consumo humano direto e indireto, mantendo uma das taxas de expansão aquícola mais elevadas do mundo”, explicou Flores. Ele destacou ainda que uma importante tarefa pendente para a região é estimular o consumo local de peixes e mariscos, principalmente na alimentação escolar.

Compras públicas e alimentação escolar podem elevar consumo per capita - Atualmente, a América Latina e Caribe produz 2,7 milhões de toneladas de peixe em aquicultura e extrai cerca de 11,7 milhões de toneladas do mar. Porém, o consumo per capita na região alcançou apenas dez quilos de peixe por ano, a metade da média global, apontou o Sofia. Por isso, a FAO está incentivando programas de compras públicas de peixe para abastecer os programas de alimentação escolar na região.

“Incluir produtos da pesca na dieta das crianças pode ter uma grande contribuição no combate à desnutrição crônica, o sobrepeso e a obesidade, além de mudar os hábitos alimentares por comidas mais saudáveis e melhorar a economia das famílias de pescadores artesanais e aquicultores de recursos limitados”, explicou Flores.

No México, parlamentares estão debatendo atualmente um projeto de lei para incorporar esses produtos na alimentação escolar do país. Iniciativas similares também estão sendo desenvolvidas no Paraguai e na Guatemala e futuramente a iniciativa deve se expandir para Belize, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá.

“É fundamental apoiar os pequenos pescadores da América Latina e Caribe, já que não apenas são a maioria, mas também exercem um papel chave na segurança alimentar da região e na sustentabilidade do setor pesqueiro”, ressaltou Flores. 

Confira o estudo completo: http://www.fao.org/3/a-i5555s.pdf

Fonte: Ascom Consea com informações da FAO

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