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Cisternas garantem água de qualidade às famílias do Ceará

REAPROVEITAMENTO

Tecnologia auxilia beneficários a captar água da chuva para consumo e produção de alimentos, além de reaproveitar água da cozinha e do banheiro
publicado  em 16/11/2018 15h25

Ocara (CE) – Os agricultores familiares Wesley Costa Santiago, de 32 anos, e Mônica Gomes da Silva, de 31 anos, sabem bem o valor da água. Eles moram em Ocara, no norte do Ceará, onde o sol quente castiga a terra. Mas, com o apoio do Programa Cisternas, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), aprenderam  a conviver com a seca.  São três reservatórios que auxiliam a família a ter uma vida melhor. Um capta água da chuva para o consumo da casa, outro destina-se à produção de alimentos e aos animais, e a mais recente construção, a cisterna de reúso, além de captar a chuva, também reaproveita a água da cozinha e do chuveiro.

Mônica conta que, antes da cisterna de reúso, toda a água da cozinha ficava empoçada no quintal da casa, causando mau cheiro e prejudicando o solo. Agora, a família pode economizar e a agricultora finalmente conseguiu melhorar os canteiros de verduras. “Sempre gostei de ter meu próprio pimentão, meu próprio cheiro verde. Com essa água de reúso, melhorou 100%. É uma água que eu disperdiçava, não sabia para onde deveria ir. Agora, eu lavo minha louça, lavo roupa e tudo vai para o reúso”, afirma a agricultora.

Também de Ocara, o agricultor familiar João Pereira Pimenta acabou de receber a cisterna calçadão. A tecnologia é ligada a um calçadão de 200 metros quadrados que serve com área de captação da água da chuva. Essa água escorre do calçadão até a cisterna através de um cano. Para Pimenta, as cisternas mudaram completamente a rotina da família. “Foi muito importante, um dos melhores prêmios que eu ganhei em 2018. Agora, tenho minhas plantas, meus criatórios de porco, de galinha. Já possuo 21 pés de muda de bananeira, goiaba, mamão, laranjeira e cajueiro. Esse é o futuro”, relata.

Segurança - O Programa Cisternas tem como objetivo levar água para a população mais pobre, principalmente do Semiárido brasileiro. Ao garantir água, o programa dá segurança para as famílias continuarem no campo, produzindo. Para o coordenador-geral de Acesso à Água do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Vitor Leal Santanta, as cisternas e as tecnologias apoiadas pelo programa representam uma grande mudança na vida das famílias. “É uma transformação, seja para garantir a qualidade de água e a redução de doenças de veiculação hidríca ou  para diminuir o tempo que a família leva para buscar água. Estamos falando de melhorar e diversificar a alimentação”, reforça.

O Ministério do Desenvolvimento Social executa o programa em parceria com os governos estaduais e municipais, consórcios públicos municipais e organizações da sociedade civil. De janeiro a setembro de 2018, já foram entregues mais de 16 mil cisternas para consumo humano, conhecidas como 1ª água, e pouco mais de 8 mil tecnologias de 2ª água para a produção de alimentos. São mais de 1,4 mil municípios atendidos e 151 mil famílias beneficiadas.

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A cisterna para consumo humano é projetada para suprir necessidades básicas (beber, cozinhar e higiene pessoal) de uma família de até cinco pessoas por oito meses, o período normal de estiagem no Semiárido. É uma tecnologia social – um conhecimento desenvolvido e compartilhado na própria comunidade –, simples e de baixo custo, que capta a água da chuva. Trata-se de um reservatório de alvenaria que armazena a água da chuva captada por um sistema de calhas interligado a ela, instalado no telhado.

O Programa Cisternas também apoia a construção de tecnologias sociais de acesso à água para ampliar as condições das famílias agricultoras
produzirem alimentos para o autoconsumo e para a comercialização de excedentes em feiras locais ou nos programas de compras institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Assim, a alimentação fica mais diversificada e com maior qualidade nutricional e a comercialização de excedentes gera renda para essas famílias. São apoiadas várias tecnologias, com destaque para a cisterna calçadão e a cisterna de enxurradas, ambas com capacidade de armazenar 52 mil litros.

No Sistema de Tratamento e Reúso de Água Cinza Domiciliar é captada a água de chuveiros, lavatórios, pias de cozinha, tanques e máquinas de lavar das casas, com exceção da água do vaso sanitário. Em seguida, a água passa por um sistema hidráulico (com tubos de PVC), por uma caixa de gordura e segue para um filtro biológico com húmus de minhoca, raspas de madeira, areia lavada, brita e seixo, coberto com telas. O húmus é aproveitado no plantio. Após a filtragem, a água é direcionada para um tanque de reúso, também confeccionado com placas de alvenaria, sendo então transportada por meio de uma bomba elétrica para uma caixa d'água para ser utilizada na plantação ou na criação de animais.

*Por Pamela Santos

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