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FAO divulga relatório sobre os índices de sobrepeso e obesidade

Segurança alimentar e nutricional

O sobrepeso entre os adultos brasileiros passou de 51,1%, em 2010, para 54,1%, em 2014
publicado  em 30/01/2017 15h13
Foto: Mauro Vieira/MDSA

Brasília – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgaram na sexta-feira (27) o relatório Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe. O documento mostra o aumento nos índices de sobrepeso e obesidade da população latinoamericana e caribenha, principalmente entre mulheres e crianças de até cinco anos. 

Entre os adultos brasileiros, o sobrepeso passou de 51,1%, em 2010, para 54,1%, em 2014. Em relação à obesidade, o índice passou de 17,8% para 20% no mesmo período. Destes, 22,7% são mulheres. O motivo seria o aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, do sal e do açúcar. Estima-se ainda que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas (7,7%) as mais afetadas.

Acesse aqui o relatório (em espanhol) 

Para a diretora do departamento de Estruturação e Integração dos Sistemas Públicos Agroalimentares do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), Patrícia Gentil, o relatório é extremamente importante para o Brasil, uma vez que os índices de sobrepeso e obesidade do país estão aumentando. “Este é um tema importante que precisa de um olhar sistêmico. Não é um problema só da saúde. É um problema também do que a gente está produzindo, como as pessoas estão tendo acesso aos alimentos e como se alimentar melhor”. 

Ela reforça que o governo federal desenvolveu diversas ações para reduzir esses números e promover a alimentação saudável e de qualidade entre a população. Políticas com o foco no fortalecimento da agricultura familiar permitiram que as famílias mais pobres tivessem acesso
a esses alimentos. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por exemplo, compra alimentos da agricultura familiar e destina às famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional e àquelas atendidas pela rede socioassistencial.  

Outro destaque é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A estratégia contribui para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional. 

“O relatório reforça um conjunto de políticas que já são implementadas pelo Brasil e coloca essa agenda da segurança alimentar e nutricional e a questão da redução da desnutrição, do sobrepeso e obesidade como uma prioridade política”, afirmou Patrícia. 

As políticas de promoção da alimentação saudável também passam pelo segundo Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan). O documento traz um conjunto de 121 metas e 99 ações estruturadas a partir dos grandes desafios voltados aos hábitos alimentares da população brasileira. “O relatório da FAO está em sintonia com o Plansan. O plano é bem robusto e discute a questão do Mapa de Insegurança Alimentar e Nutricional e, ao mesmo tempo, traz toda essa ideia de produção de alimentos mais saudáveis, abastecimento e acesso à alimentação”, explicou. 

Apresentação – Ao apresentar a pesquisa, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, destacou que os governos devem aumentar as políticas de apoio aos mais vulneráveis, promover o consumo de alimentos saudáveis. “Os programas de compras públicas têm uma proposta de como melhorar o sistema nutricional e o fortalecimento das políticas de uma boa alimentação.” 

A chefe de cozinha Rita Lobo também estava presente na apresentação do relatório. Para ela, a população precisa voltar a cozinhar e a comer alimentos in natura. “A gente precisa incentivar que as pessoas voltem a cozinhar. Essa é uma ferramenta para manter uma alimentação mais saudável. Se você aprende a cozinhar, você consegue transformar os alimentos in natura em pratos gostosos e saudáveis.”  

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