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Mais de 35 mil cisternas foram entregues no semiárido em 2016

publicado  em 11/10/2016 00h00

REP: A crise hídrica vem castigando o sertão nos últimos cinco anos. Como forma de garantir qualidade de vida e segurança alimentar para a população, o governo federal já entregou quase 1 milhão e 300 mil cisternas no semiárido. Uma delas é da dona Antônia Conceição Santos, de 78 anos, uma sertaneja típica. Guerreira, lutou a vida inteira, enfrentando o sol forte do Semiárido nordestino para criar os sete filhos na zona rural de Feira de Santana, na Bahia. Ela sempre trabalhou na roça e plantou de tudo um pouco: feijão, milho, fumo, mandioca. Analfabeta, o que mais dá orgulho para a dona de casa é ter plantado a semente da educação na cabeça dos filhos. Hoje, todos estão formados. 

TEC SONORA ANTONIA CONCEICÃO DOS SANTOS 1
A gente passava privação, mas nossos filhos nós dava de comer. E nem eu, nem meu esposo não sabia fazer nem a letra do ‘O’. Por isso mesmo, eu tirei da boca e dei para os meus meninos e hoje eles não sabem onde me botam. Eu tenho o maior prazer por isso. 

REP: A dificuldade para educar os filhos e colocar comida no prato das crianças também é lembrada quando fala da seca. Dona Antônia conta que, muitas vezes, tinha que beber a mesma água que os animais. O peso das latas de água na cabeça era outro problema que era preciso enfrentar para poder sobreviver no sertão. 

TEC SONORA ANTONIA CONCEICÃO DOS SANTOS 2
“Nós ia buscar nas fazenda. Cansei de chegar e o gado estava bebendo da água. A água chegava a estar tudo gunzada, e a gente abanar aquela água, trazer para cá, botar num purrão, esperar sentar, para poder coar para beber. Nem balde tinha. Era lata e pote. E chagava às vezes no meio do caminho, levava uma topada, quebrava o pote e derramava a água. E voltava para buscar mais uma vez”. 

REP: Agora, graças ao Programa Cisternas, esta realidade ficou no passado. Há um ano, a aposentada não precisa percorrer longas distâncias atrás de água. Ali, no próprio quintal, a chuva que cai sobre o telhado é armazenada no reservatório. Com a cisterna cheia, ela terá água suficiente para 8 meses. Se um dia faltar, poderá contar com as cisternas da vizinhança. Nesta fase da vida, para a dona Antônia, não ter que fazer mais esforço para buscar água para beber ou cozinhar é motivo de comemoração. 

TEC SONORA ANTONIA CONCEICAO DOS SANTOS 2
“Depois que pegou água nunca mais ficou seca. A água facilitou as pernas da velha. Se fosse ‘panhar’ água lá nos pastos agora, não ia aguentar não. Já estou com as pernas fracas, como é que vai (risos)”. 

REP: Neste ano, já foram construídas 35 mil unidades. O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Caio Rocha, destaca os impactos da entrega das cisternas para os sertanejos. 

TEC SONORA CAIO ROCHA
“O mais importante quando se faz a cisterna, além do abastecimento de água, é a qualidade da água que aquela família passa a utilizar. A partir do momento que tu faz a questão das cisternas, e aí tu tem essa água armazenada, ela também passa a ter um tratamento, ou filtrada, ou tendo adição de outros produtos para a sua purificação faz com que o número de doenças sejam significativamente muito menores. A outra é a redução do tempo dedicado à busca da água. Especialmente isso tem sido uma tarefa das crianças e das mulheres, fazendo com que se tenha mais tempo para outras atividades e que possa se dedicar as crianças ao lazer ou aos temas da escola.” 

REP: Caio Rocha ainda ressaltou que, em 2016, 10 mil tecnologias sociais de acesso a água para produção foram construídas. Além disso, o programa também deve entregar 5 mil cisternas nas escolas até o fim deste ano. Cada uma tem a capacidade de armazenar 52 mil litros de água. 

De Brasília, André Luiz Gomes.

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