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Com acompanhamento promovido pelo Criança Feliz, filhos nascem mais saudáveis

ESPECIAL

Na região Norte, programa apresenta bons resultados e potencializa o desenvolvimento infantil em comunidades isoladas. Moradora da Ilha de Marajó que foi acompanhada desde a gravidez relata benefícios das visitas
publicado  em 09/10/2019 14h14
Foto: Mauro Vieira

Curralinho (PA) – Sobre uma simples estrutura de madeira, na Ilha de Marajó, em plena Amazônia, João Pinheiro Júnior, de 28 anos, e Maria Josana Lima, 24, criam os cinco filhos. A família ribeirinha vive isolada às margens de um curso d’água que sai do igarapé Uruá e segue até o rio Pará, no município de Curralinho (PA).

Josana deita na rede próxima à janela com os filhos mais novos. Canta e embala os dois no fim de tarde, hora em que o vento espanta os carapanãs (mosquitos). As mãozinhas de Aylla, de apenas 5 meses, acariciam a pele da mãe. João Neto, 2 anos, aproveita o balançar da rede. Para Josana, este momento de carinho em família é um dos melhores do dia. “Gosto muito de ficar como eles na minha volta, principalmente os menores”, conta, enquanto os mais velhos, Josivan, 9 anos, Ariane, 8, e Aryelle, 5, brincam do lado de fora. A atenção dispensada aos caçulas mudou depois que família começou a receber o suporte do Criança Feliz.

A visitadora Edna Pessoa chegou até a casa da família ribeirinha a pedido do casal. Ao conversar com uma vizinha, Josana soube da existência de um novo serviço do governo para quem tem filhos pequenos. Desconfiada de que estava grávida pela quinta vez, foi de barco até o Centro para saber se poderia receber o acompanhamento do programa. “A visitadora passou a me acompanhar toda sexta-feira enquanto eu estava grávida. Aylla nasceu e cinco dias depois Edna já estava aqui em casa”, lembra.

João conta que Edna explicou a importância de uma boa alimentação, de seguir o calendário de vacinação e de reservar mais tempo para brincar com os filhos. “Amor nunca faltou, a diferença é que estamos incentivando eles a se desenvolverem”, comenta. Ele também destaca a tranquilidade da filha. “Os mais velhos estranhavam muito a presença de outras pessoas. Aylla é calminha e recebe todos cheia de sorrisos”, orgulha-se.

De acordo com Josana, o acompanhamento desde o quarto mês de gestação gerou ainda outro resultado positivo: Aylla nasceu com 3,395 quilos, enquanto o peso dos irmãos ao nascer havia ficado em torno de 1,800 quilo. “É muita diferença. Acho que foi porque a visitadora me dizia o que eu deveria comer, quando, e fiz tudo certinho. Esse tipo de acompanhamento eu não tive com os outros”, pondera. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o peso ao nascer é um dos indicadores de maior influência na saúde e sobrevivência infantil. Dados epidemiológicos evidenciam que crianças que nascem com um peso inferior a 2,5 kg apresentam maior risco de morte em relação às que nascem com um peso superior.

Na casa sem relógios à beira do rio, as estações e a passagem do tempo são medidas de acordo com os rituais da natureza, principalmente o do ciclo das águas: a época da cheia, o período de vazante, o horário das marés. É como quem fala de um fruto ainda não maduro que Josana se refere à pequena Aylla. “Ela ainda está verdinha, mas está crescendo.”

O sentimento de confiança estabelecido com a visitadora do Criança Feliz Edna Pessoa é o fio condutor das visitas. “Podemos falar sobre tudo. Por isso que eu gosto”, explica Josana. Um dos pedidos para a visitadora foi o encaminhamento para fazer a laqueadura – procedimento cirúrgico voluntário para esterilização. “Cinco crianças já está de bom tamanho”, diz a mãe. A visitadora auxiliou acionando a rede de saúde para agendar as consultas prévias à cirurgia.

Para o futuro, João só espera o melhor. “Eles precisam é estudar. E quando não tiver mais estudo suficiente aqui, eles podem ir para Belém (PA), para onde for, para continuarem o caminho deles”, reflete. “Acho que o Criança Feliz pode melhorar a vida deles e a nossa também”, conclui a mãe.

Outros caminhos

Depois que João e Josana estiveram no CRAS do município pedindo para fazer parte do Criança Feliz, logo uma equipe formada por assistente social e psicólogo foi até a casa da família, de barco, para acompanha-los e registrar as demandas. “Identificamos muitas carências na comunidade e vimos que era necessário”, conta a visitadora Edna Pessoa.

São muitas as famílias em situação de vulnerabilidade em Curralinho (PA). A maior parte das mulheres cuida da casa e dos filhos. Já os homens se dedicam ao extrativismo. Os que buscam outras oportunidades em cidades maiores acabam esbarrando na baixa qualificação. “Os jovens querem trabalhar, mas muitos não têm estudo. Eles pararam de estudar cedo, às vezes até por falta de visão dos pais, esclarece a psicóloga da prefeitura, Rosélia da Rosa. “No Centro de Convivência, trabalhamos para mudar a mentalidade dos jovens. O Criança Feliz também poderá ajudar nesse sentido”, projeta.


Um avanço já atribuído ao programa em Curralinho está relacionado à vacinação. Algumas das crianças visitadas no Rio Aramaquiri não eram imunizadas há mais de seis anos. “Agora, todos os cartões de vacinação estão atualizados. Isso mostra como o programa sacudiu a rede: o serviço chegou até as pessoas”, afirma o supervisor do programa Hilário Nazaré. “Estamos vendo uma resposta muito rápida nas crianças atendidas, principalmente na comparação com o desenvolvimento dos irmãos”, diz. Hilário vê no Criança Feliz a chance de um futuro melhor para as próximas gerações. “A médio prazo, espero que o programa venha a alavancar a sociedade e proporcionar um desenvolvimento social mais digno aqui e em todo o País”, completa.

De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, as melhorias identificadas estão atreladas à intersetorialidade do Criança Feliz, que integra ações na área da saúde, da assistência social, da educação, da justiça, da cultura e dos direitos humanos. “Conversar, brincar, ler, cantar são atitudes que juntas constroem o ambiente ideal para uma criança feliz desenvolver todo seu potencial. Mesmo com poucos meses de vida, Aylla já percebe os estímulos e responde com gestos às brincadeiras dos pais. Esse vínculo transmite segurança, e somente com a formação desse apego é que o bebezinho passa a explorar o mundo ao redor. É assim, com dicas e orientações que nós estamos chegando a esses resultados com o Criança Feliz”, conclui o ministro.

Leia mais notícias sobre o programa no especial Semana da Criança

Especial – Criança Feliz (7/10/2019)

Saiba mais - Coordenado pelo Ministério da Cidadania por meio da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, o Criança Feliz promove o desenvolvimento adequado na primeira infância, integrando ações nas áreas de saúde, assistência social, educação, justiça, cultura e direitos humanos. Até o momento, o programa está presente em 2.620 municípios brasileiros e já atendeu mais de 781 mil crianças e gestantes. No total, mais de 21,2 milhões de visitas domiciliares foram realizadas por cerca de 18,8 mil profissionais capacitados que orientam sobre o desenvolvimento das crianças de até três anos inseridas no Cadastro Único para programas sociais do governo federal e de até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

*Por Diego Queijo

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania

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