Você está aqui: Página Inicial > Área de imprensa > Notícias > 2018 > Setembro > Interiorização já transferiu cerca de 1,5 mil venezuelanos de Roraima para outros Estados

Notícias

Interiorização já transferiu cerca de 1,5 mil venezuelanos de Roraima para outros Estados

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Na última semana, 408 imigrantes foram encaminhados para abrigos em São Paulo, Manaus, Cuiabá, Brasília e Esteio (RS)
publicado  em 12/09/2018 16h46
Exibir carrossel de imagens Foto: Clarice Castro/MDS

São Paulo/Esteio (RS) – Prestes a descer no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), Anaelys Diaz, 23 anos, sentia um misto de emoções. A alegria estava estampada no rosto da grávida porque abraçaria novamente o marido Jorge Córdoba, 28 anos. Ele desembarcara uma semana antes em São Paulo por meio do processo de interiorização que está levando venezuelanos de Roraima para diversos Estados do Brasil. “Meu marido é quem me apoia e vai me proteger neste período da gravidez”, declarou ela.

Anaelys embarcou rumo à capital paulista somente depois que realizou todos os exames de pré-natal. Com 30 semanas de gestação, passou vários dias nas ruas de Boa Vista (RR), sobrevivendo com refeições e materiais básicos de higiene que ganhava no abrigo. “Estou muito contente, pois vou poder ficar com meu marido. Também fiquei preocupada porque me disseram que era muito difícil viajar assim gestante. O importante é que deu tudo certo”, explicou. A partir de agora, o casal ficará hospedado no abrigo Minha Pátria, em Guarulhos (SP).

A venezuelana é um dos 1,5 mil imigrantes que participaram do processo de interiorização promovido pelo governo federal com apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), da Agência da ONU para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Uma vida melhor também é o sonho Enoch Uzcategui, 23 anos. Antes de decidir vir para o Brasil, o jovem trabalhava em três empregos - uma lanchonete, um restaurante e em uma clínica veterinária - para colocar um pouco de comida na mesa da mãe. “O salário dava para comprar um frango, alguns pães e algumas verduras. Não dava mais para continuar lá”, conta. “O pior de tudo é ver que sua mãe tem fome”, completa.

Segundo Enoch, ser transferido de Boa Vista (RR) para Esteio (RS) é uma nova chance que a vida está dando a ele. “É uma oportunidade para melhorar economicamente. Não quero somente morar no abrigo, mas trabalhar e ajudar a minha família que está na Venezuela.” 

A esperança de apoiar os familiares também foi o que motivou o advogado Marcos Daniel Carrasquiel, 34 anos, que era consultor jurídico em uma instituição governamental. Há um ano e oito meses no Brasil, conseguiu emprego informal em Roraima, mas quando foi ofertada uma vaga no abrigo do Rio Grande do Sul teve confiança de que era o momento certo para buscar novas oportunidades. “Em Boa Vista não há capacidade para dar emprego a tantas pessoas, nem brasileiros, nem venezuelanos. Minha mãe está doente e meu irmão está com câncer. Eles precisam de mim”, confessou.

Até o final de setembro, estão previstas etapas de interiorização toda semana. Os imigrantes já foram abrigados nos Estados de Amazonas, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.

*Por André Luiz Gomes

Informações sobre os programas do MDS:
0800 707 2003

Informações para a imprensa:
Ascom/MDS
(61) 2030-1505 / 9.9229-6773
www.mds.gov.br/area-de-imprensa