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Seminário sensibiliza gestores municipais a receberem imigrantes venezuelanos

ASSISTÊNCIA SOCIAL

MDS esclareceu dúvidas de representantes de 10 cidades brasileiras sobre o processo de interiorização
publicado  em 09/11/2018 16h10
Exibir carrossel de imagens Foto: Clarice Castro/MDS

Brasília - Gestores da Assistência Social de 10 municípios que demonstraram ao governo federal interesse em acolher imigrantes venezuelanos participaram de seminário nesta quinta-feira (8), em Brasília. Coordenado pela Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o evento discutiu de que forma os municípios podem participar do processo de interiorização dos imigrantes que chegam ao Brasil pela fronteira em Roraima, devido à crise humanitária na Venezuela. Até o momento, a Operação Acolhida realizou 15 etapas de transferências, com um total de 2.970 venezuelanos acolhidos em 23 municípios brasileiros.

Na ocasião, a assessora especial de Assuntos de Imigração do MDS, Niusarete Lima, destacou que a parceria com os municípios é essencial para o sucesso da Operação Acolhida. “É necessário informá-los da necessidade de uma ação conjunta, que o governo federal está preocupado e disponibilizando recursos, inclusive sobre as oportunidades para que o município também organize melhor sua rede local de Assistência. Precisamos pensar a questão do fluxo migratório como uma política de Estado e que é possível trabalharmos em uma grande rede”, explicou.

A interiorização vai além do acolhimento aos imigrantes, envolve o preparo dos abrigos, a mobilização da comunidade e do poder público, além do trabalho realizado pela rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (Suas). São nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) que os novos moradores fazem o registro no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal para acesso aos serviços oferecidos pela Assistência Social.

De acordo com a oficial de Reassentamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Gabriela Cortina, o entendimento dos gestores sobre o processo de interiorização é fundamental para oferecer aos imigrantes a oportunidade de recomeçar a vida de forma digna, com oportunidade de trabalho e moradia em algum local que deseja recebê-los. “Uma das coisas mais importantes é que os municípios devem estar sensibilizados e entender que é um desafio. É uma população que, em vários casos, muitos deles nunca trabalharam antes, então é algo novo, mas com muitas oportunidades”. O Acnur é responsável por fazer a identificação dos venezuelanos nos abrigos, traçar o perfil da família e prepará-los para a interiorização, além do acompanhamento técnico com os municípios.  

Interiorização - Um dos municípios interessados no acolhimento dos venezuelanos é Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul (RS). Cerca de 40 imigrantes deverão ser transferidos até o fim de novembro para a cidade gaúcha. Segundo a secretária do Trabalho e do Desenvolvimento Social, Ana Cristina Cardoso, o seminário serviu para ajudar na adaptação dos imigrantes à nova vida. “Sou de uma cidade pequena e pude sanar várias dúvidas quanto a integrar essa população à nossa cidade. Ouvir outras experiências que já efetivaram este acolhimento foi essencial para iniciarmos o processo o quanto antes”, afirmou ela.

A cidade de Esteio (RS) é um exemplo de sucesso no processo de interiorização. Dos 221 venezuelanos acolhidos, 70 já estão empregados. A solidariedade da população foi o que mais emocionou a secretária de Cidadania, Trabalho e Empreendedorismo, Tatiana Tanara, que conta que as doações recebidas foram além do esperado.

“O nosso grande diferencial é a entrega e a relação de empatia com eles. A equipe está muito sensibilizada em poder mudar a vida dessas pessoas com o acolhimento. Os imigrantes ficam encantados, pois ao saírem nas ruas as pessoas os abraçam e agradecem por terem escolhido Esteio como novo lar. Isso para nós não tem preço”, revela a secretária. 

Apoio técnico - Nesta sexta-feira (9), a SNAS também promoveu encontro com 22 munícipios e 10 Estados que já participam do processo de interiorização. O apoio técnico teve como objetivo o intercâmbio de experiências, a atualização conjunta dos dados do que já foi feito e dos pontos que podem ser melhorados.

Manaus (AM) foi uma das primeiras cidades a receber os venezuelanos, em especial a população indígena. Desde 2016, a capital do Amazonas faz a interiorização das famílias e serviu de modelo para outros municípios com a mesma demanda. Atualmente, 465 imigrantes vivem regularmente no local.

A subsecretária operacional de Manaus, Janemara de Moraes, conta que conversar com outros municípios possibilita melhorar as estratégias do acolhimento. “São pessoas que estão saindo do seu país de maneira involuntária, em um deslocamento forçado que vem com uma série de perdas. Não estamos trabalhando apenas por ser uma demanda externa, nós precisamos garantir a ação humanitária de reconhecimento e de dignidade dos imigrantes”, enfatizou.   

Até agora, 2.970 venezuelanos foram acolhidos em 23 municípios dos seguintes Estados: Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.  

A iniciativa conta com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

*Por Carolina Graziadei

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