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Programas de desenvolvimento infantil devem ser avaliados de forma continuada

Pesquisadores dos Estados Unidos, China e Brasil defendem a avaliação contínua das ações voltadas para a primeira infância com o objetivo de aprimorar a atuação dos governos
publicado  em 21/03/2018 19h30
Foto: Mauro Vieira/MDS

Brasília – Monitorar os impactos, diagnosticar possíveis erros e aprimorar os programas de desenvolvimento infantil são ações fundamentais para que as crianças atendidas possam ter melhores condições de vida no futuro. Nesta quarta-feira (21), pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da China apresentaram a importância de acompanhar os efeitos das visitas domiciliares sobre as mães, crianças e na comunidade onde vivem. Eles participaram da Conferência Internacional da Primeira Infância, que ocorre em Brasília.

Durante o painel “Aprendendo com as Avaliações de Programas: passado, presente e futuro”, o pesquisador de Programas de Visitadas Domiciliares para a Maternidade, Infância e Primeira Infância dos Estados Unidos, Jon Korfmacher, disse que o governo federal americano investiu, desde 2010, cerca de US$ 2,5 bilhões em ações de desenvolvimento infantil para as famílias mais vulneráveis. “Fizemos vários testes aleatórios e as pesquisas mostram que a visita domiciliar atinge o resultado esperado e têm um impacto fundamental na cognição das crianças e na situação das famílias”, destacou. “Sabemos que esses programas podem ser muito mais fortes. Não é apenas gerar conteúdo sobre o desenvolvimento infantil, mas como se tornar um apoio para aprimorar as ações”, completou o pesquisador.

Jon Korfmacher aconselhou que todos os municípios participantes do Criança Feliz realizem estudos regulares de avaliação das visitas domiciliares com os próprios visitadores e com as famílias para sugerir mudanças na metodologia desenvolvida. “Se vocês realizarem esse tipo de estudo e registrarem, vocês podem mudar a visitação domiciliar no mundo”, destacou.

Criança Feliz – O epidemiologista, especialista reconhecido internacionalmente na área de nutrição e saúde materno-infantil, Cesar Victora, é o responsável pela equipe que irá monitorar o impacto do Criança Feliz até 2021. Durante o seminário, ele apresentou como será realizada a amostra em 30 municípios, de seis Estados. Os impactos a serem avaliados serão o fortalecimento de vínculos familiares, a melhora no desenvolvimento cognitivo, a prevenção de situações de negligência e violência familiar e a reversão de situações de subnutrição.

“É uma avaliação de efetividade para verificarmos o que é necessário melhorar", disse. O treinamento das equipes e a pesquisa devem começar ainda no primeiro semestre de 2018. A amostra será realizada com 4,3 mil famílias que estão inseridas ou não no Programa Criança Feliz. A ideia é poder comparar o impacto das orientações na vida das crianças. “Nossas entrevistas durarão entre 15 e 20 minutos, com questões de fácil compreensão, para acompanharmos como os pais absorveram as informações repassadas pelos visitadores e aplicaram na relação com as crianças”, disse Victora.

Segundo o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, que também participou da discussão, as avaliações ajudam também a diagnosticar o papel do Estado. “Todo programa de primeira infância é complexo porque reúne família e o governo numa parceria, que devem se complementar. O Estado não deve ocupar o lugar dos pais”, apontou. “O programa deve ser integral e customizado de acordo com a necessidade da família”, completou.

Tecnologia - Já na China, a empresa social SZC Impact Holdings tem desenvolvido aplicativos para celulares para coletar informações sobre o programa de desenvolvimento infantil implementado em pequenas vilas rurais do país. Segundo o executivo da empresa, Tat Lam, a ferramenta apoiará na capacitação e qualificação dos visitadores e, ao mesmo tempo, apresentará um diagnóstico das ações realizadas, possibilitando o aperfeiçoamento do programa. “Estamos procurando as informações, coletando dados para incluir as visitas domiciliares no impacto do gasto social”, disse.

Tat Lam também apontou dificuldades com o acesso à rede de dados por parte das famílias e a o analfabetismo. “Nos mandam muitas imagens, porque não sabem escrever. O nosso papel agora é transformar esses dados em programas sociais. Estamos usando a tecnologia para aprimorar nossas ações a longo prazo”, contou o executivo chinês.

Para a pró-reitora de Extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcia Machado, é essencial debater os impactos das políticas públicas e construir parcerias com os governos locais no desenvolvimento das ações e na geração de conteúdos que apoiem o aperfeiçoamento das ações. “A avaliação é um guia para os gestores públicos e a universidade deve ter esse papel de comunicação com os serviços públicos para oferecer um atendimento de qualidade para a população”, pontuou.

Conferência – Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Conferência Internacional da Primeira Infância foi realizada nesta terça-feira (20) e quarta-feira (21), em Brasília.

No encontro, foram apresentadas experiências públicas e privadas de países da América Latina, além de pesquisas desenvolvidas em países como o Canadá, Austrália e Brasil. Entre os participantes estavam chefes de Estado, empresários, organizações não governamentais, cientistas de renome internacional e gestores públicos de todo o país e do exterior.

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*Por André Luiz Gomes

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