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Pesquisas científicas dão eficácia às ações de desenvolvimento infantil

PRIMEIRA INFÂNCIA

Durante painel realizado na conferência, estudiosos explicaram como programas sociais baseados em evidências científicas impactam de forma certeira crianças em vulnerabilidade
publicado  em 21/03/2018 16h02
Foto: Rafael Zart /MDS

Brasília – Estudos que permitem desvendar o desenvolvimento do cérebro das crianças pautaram o painel Traduzindo a ciência do desenvolvimento para a prática: alcançando pais, cuidadores e profissionais durante a Conferência Internacional da Primeira Infância, nesta quarta-feira (21). Os pesquisadores explicaram como programas sociais baseados em evidências científicas impactam de forma certeira crianças em situação de vulnerabilidade e conseguem construir estímulos mais adequados a cada situação familiar.

A pesquisadora do Red River College, no Canadá, Jan Sanderson, afirmou que a ciência ajuda a entender o comportamento da criança em cada momento da vida e, dessa forma, é possível determinar o efeito de diferentes atividades de acordo com estas particularidades. Jan está à frente do programa Ciência do Desenvolvimento da Primeira Infância (Science of Earling Child Development), uma iniciativa que torna a ciência e as pesquisas mais acessíveis a qualquer pessoa interessada em aprender mais sobre o impacto da experiência inicial na saúde e bem-estar ao longo da vida. 

"Quando você responde a criança, você está ajudando a construí-la. Os pais devem saber que exemplos simples, como trocar fraldas, ajuda no desenvolvimento dos filhos”, explicou ela.

Por meio de pesquisas é possível entender como casos de violência familiar e uso de drogas ou álcool são determinantes para o desenvolvimento infantil. A professora no Programa de Doutorado Colaborativo em Desenvolvimento Humano da Universidade de Toronto, no Canadá, Jennifer Jenkins, é especialista em estudos que revelam o comportamento infantil e mostram como estímulos na primeira infância podem mudar a vida dos pequenos para sempre.

Segundo a professora, crianças expostas a riscos sociais têm o desenvolvimento comprometido intensamente. “Por isso, precisamos fazer algo durante os primeiros anos de vida. Aqui no Brasil vocês estão dando um ótimo exemplo com o Criança Feliz, que cria um ambiente melhor para as famílias”.

Os estudos de Jennifer terão continuidade no Brasil. Em parceria com o Fundação Bernard Van Leer e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), ela pretende atuar junto aos os supervisores do Criança Feliz, auxiliando nas práticas com as famílias em campo. “Queremos mostrar o conceito sobre responder adequadamente àquilo que a criança faz. Isso vai se transformar em uma cascata de conhecimento. Os supervisores irão ensinar os visitadores e eles vão mostrar aos pais”, explicou.

Com mais de 50 anos estudando crianças de 0 a 5 anos, o pesquisador da Universidade de Melbourne, Joseph Sparling, explicou que o investimento na primeira infância é como guardar dinheiro na poupança: o retorno é garantido e cresce exponencialmente com o passar dos anos. Sparling atua como consultor do programa Abecedarian Approach, que atualmente tem atividades realizadas na Austrália, Canadá, Cingapura, China, Dinamarca, Estados Unidos Jordânia e México. 

“A primeira infância é a base onde tudo acontece. Investir nesse período é ter certeza de que essa inciativa vai mudar o mundo. O economista James Heckman nos mostrou um retorno anual de 13% sobre o investimento da Abecedarian e isso é uma ótima notícia para a nossa área”, afirmou o pesquisador.

Atenta a cada detalhe da palestra, a consultora Luizélia Melo de Souza – que atua no Criança Feliz nos estados de Alagoas e Sergipe - ficou feliz ao ver que é possível explicar com facilidade aos pais a importância do estímulo na primeira infância, sem esquecer de usar a ciência.

“Essa palestra foi muito importante para nós porque os técnicos precisam saber a fundo o que acontece no desenvolvimento da criança, como as famílias precisam interagir, quais as repostas das crianças e como todos estão interligados, até o meio em que eles vivem. Foi ótimo ouvir isso de quem estuda o assunto há muito tempo”, declarou.

Reconhecimento – A Diretora do Centro de Desenvolvimento Infantil na China, Mary Young, foi moderadora do debate. Ela ressaltou que o trabalho do Criança Feliz está embasado em evidências científicas e que o programa serve de exemplo para outros países.

“A China ficou muito impressionada com o que o Criança Feliz fez no Brasil. O programa levou um impulso muito grande para o nosso país. Uma instituição chinesa decidiu investir em programas por lá assim que ouviram sobre a experiência brasileira”, afirmou.

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Conferência –
Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Conferência Internacional da Primeira Infância começou terça-feira (20) e segue até esta quarta-feira (21), em Brasília. No encontro, são apresentadas experiências públicas e privadas nacionais e internacionais, especialmente de países da América Latina. Entre os participantes, estão chefes de Estado, empresários, organizações não governamentais, estudiosos de renome internacional e gestores públicos.

Conferência Internacional da Primeira Infância (20/03/2018)


* Por Pamela Santos

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