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Nobel da Paz, Juan Manuel Santos palestra sobre a importância da primeira infância

DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Presidente da Colômbia explicou como estratégia desenvolvida no país contribui para a redução da desigualdade social e da violência
publicado  em 20/03/2018 20h50
Foto: Mauro Vieira/MDS

Brasília – A sala principal da Conferência Internacional da Primeira Infância ficou pequena na tarde desta terça-feira (20). Durante palestra, o prêmio Nobel da Paz e presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, relatou sua experiência pessoal e falou sobre os resultados já alcançados com a promoção do desenvolvimento infantil no seu país. 

Foi com a fala tranquila de quem possui experiência no assunto e a convicção da importância do investimento nos primeiros anos de vida para a sociedade que o presidente colombiano apresentou ao público – formado por mais de 200 autoridades e especialistas de várias partes do mundo – alguns dos desafios enfrentados durante sua gestão, iniciada em 2010. 

A principal estratégia de atenção à primeira infância na Colômbia é a De zero a sempre (De cero a siempre), criada em 2012. Mas, até chegar ao programa, foi preciso traçar metas e objetivos de governo. 

Santos chegou ao poder após conquistar mais de 9 milhões de votos. A mais alta votação obtida por qualquer candidato na história da democracia colombiana. Em 2014, foi reeleito para o segundo mandato, e seu plano governamental foi fundamentado em três pilares: paz, equidade e educação. 

Segundo o presidente, para restabelecer a paz foi preciso paciência e perseverança para, antes de mais nada, garantir os direitos da população. “Para obtermos uma situação estável e duradoura, é preciso investir também em igualdade. E a base está na primeira infância, que é onde começa a desigualdade. Todos os outros esforços futuros ficam mais difíceis sem atenção aos primeiros anos”, disse. 

Um dos primeiros passos foi medir a pobreza no país, com base em um método multidimensional, que considera não apenas números, mas leva em conta a satisfação da população em suas condições de vida.

A iniciativa permitiu ao governo mapear e auxiliar as famílias vulneráveis de forma mais eficaz. O resultado foi a redução significativa dos índices de pobreza e extrema pobreza. 

Na área da educação, foram decretados o ensino gratuito para crianças de 0 a 11 anos e a oferta de bolsas de estudo para alunos pobres nas melhores universidades particulares do país. Com isso, o número de jovens de famílias de baixa renda que acessam o ensino superior passou de 37% para 57%. 

Com o De zero a sempre, o governo procurou estabelecer uma política de longo prazo voltada a crianças de 0 a 5 anos para fortalecer o papel fundamental da família no desenvolvimento.

Foram criados 275 Centros de Desenvolvimento Infantil para mães e crianças – além de 57 mil pessoas capacitadas para fazerem o atendimento.

Um dos resultados percebidos nos oitos anos de projeto, de acordo com Manuel Santos, é que a familiarização precoce de crianças atendidas pelo programa com livros despertou mais interesse nos meninos e meninas de 5 e 6 anos que entram na escola. “A descoberta da leitura é um amor que desperta. As pessoas levam para o resto da vida”, comentou.  

Ainda segundo o presidente, o programa de atenção à primeira infância colombiano está intimamente ligado ao processo de paz no país. “A paz começa em casa, com bons cuidados e sem violência. E isso nos torna mais iguais, porque é ali que começa a diferença nas condições e nas oportunidades. Em pouco tempo, o progresso foi enorme”, disse.  

Juan Manuel Santos recebeu em 2016 o prêmio Nobel da Paz por sua tenacidade e determinação para acabar com o conflito armado no país ao avançar no relacionamento com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 

Reconhecido mundialmente por seus feitos, o presidente, ao finalizar a palestra, parabenizou o governo brasileiro pela criação do Programa Criança Feliz, voltado ao desenvolvimento infantil nas famílias mais pobres, e falou sobre o sentimento de levar adiante iniciativas como esta. “Investir nas crianças é a política mais linda, mais emocionante e a que dá mais satisfação para qualquer agente público”, concluiu. 

Compromisso – A vinda do presidente colombiano foi parte de um compromisso assumido ao lado do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, em novembro de 2017, durante o Fórum Regional sobre a Primeira Infância, realizado em Bogotá, na Colômbia.  

Durante o encontro, representantes de países da América Latina e do Caribe, da sociedade civil, acadêmicos e membros de entidades ligadas ao tema assinaram uma declaração de pacto pela Agenda Regional para o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância.  

Nesta terça-feira (20), o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, considerou “histórica” a abertura da conferência internacional em Brasília com a fala do presidente colombiano.

“O presidente nos trouxe a experiência da Colômbia, valorizando muito a questão da primeira infância. Isso vem ao encontro do que o presidente Michel Temer tinha priorizado aqui no Brasil, que é uma política pública integrada e integral paro desenvolvimento infantil”, afirmou.

O Conferência Internacional da Primeira Infância termina nesta quarta-feira (21). A programação inclui diversos painéis e a participação de professores das universidades de Melbourne, na Austrália, e de Toronto, no Canadá, além de especialistas da China e do Brasil.  

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Coordenado pelo MDS, o Criança Feliz acompanha, com visitas domiciliares, crianças e gestantes beneficiárias do Bolsa Família, com idades entre 0 e 3 anos, e aquelas de até 6 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O programa também chega às mulheres grávidas e crianças que estão afastadas do convívio familiar por medidas protetivas. Nos encontros semanais, visitadores capacitados orientam as famílias sobre como estimular o desenvolvimento das crianças de acordo com a faixa etária delas. Até o momento, 240.917 pessoas são atendidas em 1.946 municípios brasileiros, sendo 209.846 crianças e 31.071 gestantes. 

Conferência Internacional da Primeira Infância (20/03/2018)

*Por Diego Queijo 

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