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Olhar Social: equipe itinerante leva cidadania a famílias isoladas no Pará

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Série de reportagens especiais aborda como a Assistência Social e os programas do governo federal buscam garantir direitos a milhares de brasileiros
publicado  em 15/06/2018 15h44
Fotos: Mauro Vieira/MDS

Muaná (PA) - Pouco antes da seis da manhã, a neblina da selva amazônica começa a ser rompida pelos primeiros raios de sol. Estamos no interior da Ilha de Marajó, em Muaná, no Pará, onde o barulho do motor do barco 28 de Maio corta o silêncio das margens calmas do Rio Atuá. A embarcação leva o mesmo nome da equipe de Assistência Social que, há pouco mais de dois anos, promove uma busca ativa para encontrar pessoas e comunidades isoladas.

Todo o empenho tem como objetivo levar proteção social, garantia de direitos e cidadania a quem realmente precisa. A equipe percorre o vasto território do município apresentando à população ações e serviços a serem desenvolvidos. Uma das comunidades atendidas é a do Mato Grande, na região dos chamados Campos Marajoaras, distante oito horas da sede do município.

A jornada começa cedo e o barco da Assistência Social corta os campos alagados. No caminho, búfalos dividem a paisagem com açaizeiros, de onde a maior parte da comunidade tira o sustento. Durante seis meses, a exploração do açaí e do palmito assegura a fartura. Nos outros períodos, o mínimo para a sobrevivência é garantido com a ajuda dos benefícios recebidos do Bolsa Família.

Foi por meio do trabalho da equipe itinerante que um dos mais antigos moradores, Domingues Contente, começou a ver as mudanças na comunidade. Há 30 anos, ele, a esposa Antônia e os três filhos chegaram à região. Mas somente há cerca de três anos que a realidade deles e das mais de 80 famílias isoladas na localidade começou a mudar.

É com a voz pausada e um ar de serenidade que Domingues relata o passado de sofrimento. “Era uma região muito selvagem e sem nada. Hoje, já melhorou bastante, mas antes não tinha jeito. Era passar necessidade”, conta.

O acesso ao Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e ao Bolsa Família significou mais do que renda extra: um estímulo à qualidade de vida e à busca por mais desenvolvimento para quem teve pouca oportunidade. “Eu vim para cá por necessidade e dou graças a Deus que hoje as coisas melhoraram. O governo vem olhando para nós com algumas benfeitorias, em alguns projetos. Isso nos ajudou muito, deu uma força para que a gente saísse de baixo. Hoje já temos uma vida mais estável, porque algumas das dificuldades não encontramos mais”, revela.

A esposa de Domingues, Antônia, recebe R$ 80 por mês. O suficiente, segundo ela, para adquirir uma cesta básica. “Dá para comprar arroz, feijão, e muita gente também usa para comprar algum material escolar das crianças”, afirma ela.

Pela inclusão
  
A equipe do município de Muaná visita a região de seis em seis meses para falar da importância do cumprimento das condicionalidades e incluir novas famílias no Cadastro Único. A cada deslocamento, o número de pessoas vindas de pontos mais distantes - seja de barco, a pé, de cavalo ou búfalo - aumenta.

O roteiro das atividades começa com a chegada dos trabalhadores à comunidade após a viagem de barco. Além de uma palestra, ocorre a busca ativa com foco nas ações de revisão, averiguação e inclusão no Cadastro Único. Foi em uma dessas viagens que a equipe encontrou a casa de dona Joice Rodrigues. Mãe de três filhos, ela respondeu perguntas e preencheu na hora a solicitação para receber o benefício do Bolsa Família.

“Nenhum dos meninos está na idade de ir para a escola ainda, mas o dinheiro vai ser bom para comprar o que eles precisarem”, afirma. O marido de Joice recebe menos de R$ 200 por mês com a venda do açaí. “É uma vida difícil e acredito que o dinheiro do programa também funciona como uma segurança, uma ajuda”, ressalta a mãe.

De acordo com a assessora técnica da Assistência Social de Muaná, Kewin Pyles, o resultado de todo o trabalho de busca e acompanhamento das famílias mais carentes é o principal combustível da equipe. Conhecer a realidade de cada família contribui com a realização do serviço que ela considera essencial. “A assistência preconiza que ela é para quem dela precisar. Por isso tínhamos que estar na zona rural, respeitando sempre o território em que cada família vive”, garante.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, o trabalho de busca realizado por esses profissionais é importante porque o Cadastro Único é a principal porta de entrada para a seleção e inclusão de famílias de baixa renda em programas federais. Entre eles, o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia Elétrica e o Programa Minha Casa Minha Vida.

 “As visitas possibilitam a ampliação do acesso daqueles que estão em lugares remotos, que não têm condições de se deslocarem eventualmente até à prefeitura ou aos centros de assistência social para ingressarem no Cadastro. A busca ativa torna as pessoas visíveis para os programas sociais e, assim, as permite exercer sua cidadania”, pondera o ministro.

O trabalho itinerante da equipe de Muaná foi reconhecido pelo prêmio Rosani Cunha, do governo federal, no fim de 2016. São 12 pessoas envolvidas - entre tripulantes e profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas) - para organizar e ofertar os serviços socioassistenciais da prefeitura e do governo federal.

É com a convicção de quem acredita na força do trabalho e viu muitas vidas mudarem por causa da assistência social que Kewin destaca a garantia de direitos a quem mais precisa. “Nós não estamos fazendo favor para ninguém. A política pública tem que cumprir sua função de garantir aos cidadãos o pleno direito adquirido e assegurado pela Constituição Federal. Não é favor, não é caridade, não é benevolência. É direito. E esse direito, o universo dessa garantia, é o que mais transforma as pessoas”, defende a assessora.

Olhar Social (23/05/2018)


*Reportagem especial Diego Queijo

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