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Olhar Social: Criança Feliz também faz a diferença para quem recebe o BPC

Programa voltado ao desenvolvimento infantil já apresenta resultados para as crianças com deficiência que ganham o Benefício de Prestação Continuada
publicado  em 22/06/2018 14h17
Foto: Mauro Vieira/MDS

Muaná (PA) – É com o rosto cheio de lágrimas e poucas palavras que a dona de casa Roselene da Silva traduz a importância da visitadora do Criança Feliz Paula Guimarães em sua vida: “Ela é a única pessoa que vem até aqui e pergunta como está meu filho”. Roselene é mãe do pequeno Bernard, de 3 anos. Ele nasceu com problemas de coordenação motora e recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para pessoas com deficiência e idosos.

Segundo a mãe, o início das visitas do Criança Feliz, há menos de dois meses, já pode ser considerado um marco na história da família. Os avanços de Bernard se tornaram visíveis o suficiente para encher o coração dela de esperança.

A moradia de Roselene fica entre pontes e palafitas de um bairro pobre na periferia da cidade de Muaná, no Pará. Como o menino não consegue andar, ela passa a maior parte de seus dias dentro de casa com o filho. Diante da situação, o significado do programa fica ainda mais evidente quando a mãe explica que os vizinhos e alguns familiares dificilmente perguntam pela criança.

“A Paula é a única pessoa que parece realmente interessada nele. A gente sempre ouve falar de muitos projetos, mas ninguém nunca vinha nos visitar. O melhor é que a gente vê ele se desenvolvendo mais a cada dia”, conta.

Tímido, o menino adora distribuir sorrisos e interagir com os irmãos mesmo diante das dificuldades motoras. Se antes ele sequer conseguia trocar os objetos de mão, hoje Bernard consegue até ficar de bruços na cama. “Às vezes, quando a gente vê, ele já está quase descendo da cama, coisa que não conseguia antes”, descreve Roselene orgulhosa.

A visitadora do Criança Feliz Paula Guimarães relembra o início dos encontros e a desconfiança da comunidade em relação ao programa. “Com o passar do tempo e a orientação das atividades, os moradores começaram a ver a importância do desenvolvimento infantil e do vínculo familiar amoroso entre o cuidador e a criança. Eles passaram a perceber o resultado”, lembra.

Ainda segundo Paula, um dos diferenciais é ir até a casa das pessoas e ter contato com as necessidades e dificuldades das famílias, sejam elas financeiras, de relacionamento ou saúde, por exemplo. “Quando a pessoa vai até o Cras [Centro de Referência de Assistência Social] e fala que enfrenta um problema, é uma coisa. Quando nós, visitadores, vamos até a casa dela e vemos a dificuldade com os próprios olhos, é muito mais proveitoso, o trabalho flui e conseguimos fazer a diferença”, destaca a visitadora.

Foi esse trabalho, segundo Roselene, que mudou também o olhar dela como mãe para o menino. “Apesar de não ter quem me ajude, agora tenho dado mais atenção ao meu filho, porque vi que assim ele vai melhorar muito mais”, revela.

Investir para mudar o futuro

Criado pelo governo federal, o Criança Feliz é direcionado também para colher resultados no futuro e promete ser um marco na luta contra a desigualdade social no Brasil. Ele foi desenvolvido com base em técnicas rigorosas do programa Care for Child Development (“Cuidar do Desenvolvimento Infantil”) do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Semanalmente, visitadores levam às famílias orientações sobre a melhor maneira de estimular o desenvolvimento dos filhos. O acompanhamento é feito para gestantes e crianças beneficiárias do programa Bolsa Família de até 3 anos, e àquelas de até 6 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Médico pediatra, o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, afirma que “o estímulo frequente durante a primeira infância, bem orientado e seguindo os protocolos tecnicamente definidos, promove um desenvolvimento muito maior, especialmente para crianças com deficiência”.

Beltrame também destaca a importância da presença dos visitadores, além do incentivo ao vínculo entre as crianças e cuidadores, orientado pelas equipes. “São muitos os relatos de que essa ligação resulta em evoluções e melhorias, mesmo dentro das limitações que as próprias doenças impõem. É preciso estimular essas crianças para que elas tenham uma vida e um futuro melhor”, pontua ele.

Evidências científicas demonstram a importância de investir nos primeiros anos de vida para melhorar as condições de aprendizado na escola, o desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo, além de diminuir a propensão à violência na vida adulta e o uso de drogas. A atenção nessa fase da vida também contribui para o desempenho profissional do indivíduo, facilitando a entrada no mercado de trabalho.

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É por isso que a coordenadora do Criança Feliz no em Muaná, Artemisa Pimenta, vai às lágrimas ao falar da própria profissão e suas expectativas para o futuro. “Como eu tive oportunidade, esse trabalho é pessoalmente muito importante para mim. [Choro] Eu sou daqui e sei que a desigualdade é muito grande na nossa cidade. Então, precisamos oferecer oportunidade para que essas crianças tenham opções na vida. Precisamos trabalhar preventivamente as situações de vulnerabilidade. Queremos colher estes frutos em alguns anos e perceber, no futuro, que as crianças atendidas conseguiram mudar seu próprio destino”, conclui.

 

*Reportagem especial Diego Queijo

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