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Olhar Social: acompanhamento do Bolsa Família aproxima governo da população

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

O descumprimento de um requisito na área da Educação ou Saúde pode significar que a família enfrenta dificuldades. Às vezes, é preciso ir além para promover o resgate da cidadania
publicado  em 19/06/2018 16h01
Foto: Mauro Vieira/MDS

Muaná (PA) - Foi em um período de estiagem que, aos 16 anos, a paraense Elcione Amaral descobriu que estava grávida e parou de ir à escola. Por causa das ausências, o benefício do Bolsa Família que seus pais recebiam foi bloqueado. Esse poderia ser mais um caso de evasão escolar registrado durante o acompanhamento dos estudantes do programa, mas as equipes do Sistema Único de Assistência Social (Suas) precisam ter atenção redobrada.

No caso da jovem, o que os números não demostravam é que em pouco tempo ela teria sua vida transformada, tanto pela chegada não planejada de um filho, que exige cuidados 24 horas por dia, quanto pela acolhida da equipe da rede socioassistencial.

A jovem Elcione mora com a família em uma casa simples de madeira às margens do Rio Mamangaí, próximo à comunidade de Vila Valérias, no interior do município de Muaná (PA). Da janela, ela observa com seus olhos castanhos o vai e vem dos barcos enquanto cuida do filho, com a ajuda da mãe e da irmã. O pai de Elcione não estava no momento da entrevista, mas o tom da voz e a forma como ela se refere a ele revela uma mistura de carinho, inocência e respeito. Porém, foi outro sentimento, o medo, que a fez esconder a gravidez precoce.

“Não contei ao papai porque fiquei assustada com a reação que ele poderia ter”, revela. A menina ocultou a gestação e não fez o pré-natal ou outro tipo de acompanhamento médico durante a gravidez. Com o nascimento do filho Jadson e a falta de apoio no próprio lar, ela precisou parar de ir à escola.

Hoje, o pequeno está com 2 anos e 9 meses, mas é um sobrevivente. Segundo a jovem mãe, isso se deve em parte ao fato de a equipe de acompanhamento familiar ter aparecido um dia em sua casa para verificar o porquê das faltas na escola. Com hidrocefalia, o bebê sequer passou por avaliação médica em seus primeiros meses de vida, mesmo precisando urgentemente de uma cirurgia para implantação de válvula de drenagem.

A adolescente conta que, logo após o nascimento, ele chorava dia e noite e sofria com as constantes convulsões. “Quando a equipe descobriu a gente aqui os profissionais conversaram comigo, foi aí que lutaram e conseguiram a cirurgia”, explica ela.

Acolhida
Devido à pobreza extrema e às dificuldades de distância da casa da família ribeirinha - cerca de seis horas de barco do centro do município -, o caso de Elcione só foi descoberto com a chegada da equipe. “O problema da frequência escolar dela gerou o descumprimento da condicionalidade de educação do Bolsa Família. Por isso, nós acabamos tendo que ir até sua residência para saber o motivo”, conta a secretária de Assistência Social de Muaná (PA), Andreza Maria Guimarães, uma das profissionais que participaram das primeiras visitas à família.

De acordo com Andreza, quando constatou-se a necessidade e carência da família, foi preciso agir para, da melhor maneira possível, ajudá-la. O trabalho em parceria com a equipe da Saúde permitiu que a cirurgia ocorresse. A atuação em rede é destacada pela secretária nacional de Assistência Social, Carminha Brant. Para ela, atuar em conjunto de forma intersetorial deve ser prioridade. “Ter essa capacidade de fazer a rede funcionar é fundamental para atender às necessidades das famílias e possibilitar que elas acessem outros direitos e serviços”, enfatiza.

Acompanhamento
Frequentar a sala de aula é um dos requisitos para crianças e adolescentes das famílias brasileiras que recebem o dinheiro do Bolsa Família, como era o caso de Elcione. De acordo com o secretário nacional de Renda de Cidadania, Tiago Falcão, os efeitos das condicionalidades previstas no programa nas áreas de Educação e Saúde são importantes porque esse acompanhamento permite ao governo federal visualizar a situação das famílias e oferecer um horizonte de possibilidades para a população.

“Participar do histórico educacional dos estudantes auxilia que, no futuro, eles tenham condições de estar em um patamar superior ao de seus pais no que se refere ao exercício de sua cidadania e, portanto, também no processo de inclusão econômica e social”, enfatiza o secretário.

Resultados
Aos poucos, o apoio das equipes está melhorando a qualidade de vida de Jadson e de todos na casa: o Bolsa Família dos pais de Elcione foi desbloqueado, ela passou a receber o próprio dinheiro, terminou os estudos e solicitou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o filho.

 O trabalho de acompanhamento nunca termina. Ainda assim, o caso de Elcione já enche os profissionais de orgulho. O suficiente para comover a secretária de Assistência Social do município. “Neste trabalho não tem como não ficar tocada. Isso nos torna mais humanos, nos faz respeitar as diferenças e agradecer por poder ajudar aquelas pessoas que não tinham quase nada e hoje conseguem ter um pouco”, afirma Andreza.

O pai do menino nunca assumiu o filho. Segundo Elcione, o apoio dado pela equipe e pela rede de atendimento foi fundamental no momento de vulnerabilidade. “Mudou minha vida o que eles fizeram pelo meu filho. Só tenho a agradecer porque é um trabalho muito importante esse de tentar ajudar as pessoas, como fizeram comigo”, conclui a adolescente.

Olhar Social (23/05/2018)

*Reportagem especial Diego Queijo

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