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Cisternas: água faz chegar comida e esperança no Semiárido

ACESSO À ÁGUA

Com tecnologia social, comunidade no Rio Grande do Norte transformou pequenas hortas em quintais produtivos para alimentar toda a família
publicado  em 28/07/2017 18h17
Exibir carrossel de imagens Foto: Rafael Zart/MDS

São Miguel do Gostoso (RN) - O sol impiedoso do Semiárido ainda espreguiça quando dona Maria Targino, de 79 anos, pega o caminho da roça e cruza os 700 metros que separam sua casa do local onde planta tudo aquilo que lhe serve de alimento.

No passado, era apenas uma horta, que ela regava com dificuldade devido à escassez de água. Mas a chegada das cisternas de consumo e produção revolucionou a vida de dona Mariquinha, como é conhecida, e dos vizinhos.

A agricultora mora em Canto da Ilha de Cima, povoado localizado a 18 quilômetros de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte. A área era uma fazenda, mas foi desapropriada em 2006. Hoje, 49 famílias vivem na região – a maioria nascida no povoado de Morro dos Martins, a poucos quilômetros do local. Cada uma recebeu um terreno de, aproximadamente, 18 hectares, para viver e tirar da terra o próprio sustento.

Além disso, as famílias receberam uma cisterna para consumo próprio. A tecnologia social de acesso à água foi construída com recursos do Programa Cisternas, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Nos fundos da casinha verde onde dona Mariquinha vive com o marido, José Targino, o aspecto mudou. De pastagem sertaneja, barro seco e vegetação desidratada, passou a quintal produtivo, verde até aonde a vista alcança, com galinhas, vacas, touros e ovelhas pastando.

Quando recebe visita, dona Mariquinha faz questão de mostrar cada árvore, horta e animal. Na mesa da varanda, monta sempre uma exposição dos alimentos que cultiva: acerola, limão, coco, banana, caju, melancia, pinha, ervas, pimentas e cereais, como o sorgo. “Eu planto o que como. Quando quero uma verdura, não vou à casa de ninguém. Essa rotina de toda a vida colhendo e plantando é uma diversão para mim”, explica a agricultora. Quando as vacas produzem leite, ela fabrica manteiga caseira.

A casa serve como cartão de visitas, mas a grande obra de dona Mariquinha fica na roça que ela tem em um terreno próximo. Na lida desde cedo, na companhia do marido, ela faz brotar do solo alface, cebola, couve, mandioca, feijão, abóbora, entre muitas outras variedades.

Toda a colheita é irrigada pela água armazenada por uma cisterna de produção, conhecida como cisterna calçadão, com capacidade para 52 mil litros de água. Segundo José Targino, se usada com parcimônia, a água coletada dura de seis a oito meses.

O casal não calcula quantidades de tudo aquilo que produz. O que nasce no quintal e na horta enche a despensa do casal. O que sobra é distribuído aos filhos e netos – eles moram em cidades vizinhas. Até mesmo o que não vinga encontra utilidade na natureza. O último plantio de milho, por exemplo, não pegou, mas a palha será convertida em ração para os bichos. “O que temos é para todos”, conta seu José.

Depois de um período que os moradores da região chamam de “a seca de seis anos”, a chuva vem caindo sobre o Semiárido potiguar. Sinal de cisterna cheia, sementes irrigadas e horta repleta de comida no quintal de dona Mariquinha.

Investimento – Em todo o Semiárido, o Programa Cisternas já construiu 877 mil cisternas para consumo humano, 143 mil tecnologias sociais para produção de alimentos e 4 mil cisternas escolares. Para aliviar o sofrimento das famílias que vivem as dificuldades causadas pela escassez de água, o governo federal está investindo, só em 2017, R$ 755 milhões na construção de 133 mil cisternas e outras tecnologias em todo o país.

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