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“A cisterna mudou muita coisa na minha vida”

ACESSO À ÁGUA

Moradora de Conceição do Coité (BA), Rosa Carneiro de Souza começou a plantar e melhorou sua alimentação graças à tecnologia social de acesso à água
publicado  em 13/10/2016 14h11
Foto: Rafael Zart/MDSA

Brasília – Na comunidade de Cansanção, zona rural de Conceição do Coité (BA), a agricultora Rosa Carneiro de Souza, 56 anos, cuida com carinho de sua horta. Quem chega ao local, logo vê a cisterna de placas, destinada ao consumo humano, mas é no quintal que Rosa guarda seu grande orgulho. 

Em meio à terra seca do Semiárido está a cisterna para captação de água da chuva, com capacidade para armazenar 52 mil litros de água, utilizada para irrigar a produção de alimentos e matar a sede dos animais. “A cisterna mudou muita coisa na minha vida. Hoje eu vivo descansada. Não tenho mais que buscar água com a lata na cabeça para molhar um pouquinho de terra. Eu tenho muito amor pela minha cisterna”, conta. 

O terreno íngreme possibilitou a construção da cisterna de enxurrada. Foi graças à tecnologia social de acesso à água, construída em 2013, que Rosa começou a plantar. A terra árida não permitia plantar nada. “Não sei como a cebola dava. Era um mistério”. 

Com a ajuda dos técnicos do Movimento de Organização Comunitária (MOC), entidade executora do Programa Cisternas na região, a agricultora foi se convencendo de que a terra poderia ser fértil. “Eu não acreditei muito quando o técnico disse. Como pode nascer tanta coisa nessa terra seca? A terra é desobediente”. 

Hoje, no quintal de Rosa, tem cebolinha, coentro, pimentas, tomate, frutas, cheiro-verde, feijão e hortaliças da época. A produção garantiu, detalha a agricultora, uma melhor alimentação para sua família. “Ter uma horta assim era meu sonho. Agora, eu tenho de um tudo, mas tem que saber trabalhar. Tendo o adubo e a água, vou ter alimentos a vida toda”. 

A baiana não deixa a horta sem cuidados nem por um minuto. Rosa acorda cedo, molha a plantação e vai em busca de adubo para melhorar a terra. “Planto para o sustento aqui de casa. Vendo o que sobra. Os vizinhos vêm de toda parte. Um compra cebolinha, outro, coentro e assim vai indo.” 

Orgulhosa, a agricultora ainda conta outro segredo: boa parte das sementes plantadas no quintal é crioula (tradicional e adaptada à região), vinda direto do Banco Comunitário de Sementes. “As sementes crioulas que tenho aqui eu também distribuo para os vizinhos. Eu não troco por nada as sementes daqui”. A comunidade de Cansanção recebeu o banco de sementes em 2015. A unidade foi financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) em parceria com o MOC. 

Viúva desde os 30 anos, Rosa criou os quatro filhos trabalhando no corte de carne em fazendas da região, tecendo esteiras e limpando área de pasto. Há pouco mais de um ano, ela se aposentou. Quem conheceu a agricultora antes da cisterna não a reconhece mais. A senhora acanhada e envergonhada deu lugar a Rosa falante e determinada. “Já realizei meu sonho, mas quero mais. Quero mais cisternas para plantar e vender mais”. 

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