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Tecnologia social reaproveita água utilizada nas casas do Semiárido

ACESSO À ÁGUA

Construído em parceria com os agricultores familiares, o sistema filtra água da casa para utilização no plantio e criação de animais
publicado  em 27/05/2016 11h33

Brasília – Em tempos de estiagem, cada litro de água é imprescindível no Semiárido. Além de captar a água da chuva para consumo, as famílias do sertão brasileiro poderão reaproveitar ao máximo a água da cozinha e do chuveiro na produção de alimentos e criação de animais. O Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário padronizou mais uma tecnologia social para a produção de alimentos por meio do Programa Cisternas: o Sistema de Tratamento e Reuso de Água Cinza Domiciliar.

O sistema capta água dos chuveiros, lavatórios, pias de cozinha, tanques e máquinas de lavar das casas, com exceção da água do vaso sanitário. Em seguida, a água passa por um sistema hidráulico (com tubos de PVC), por uma caixa de gordura e segue para um filtro biológico com húmus de minhoca, raspas de madeira, areia lavada, brita e seixo, coberto com telas. O húmus é aproveitado no plantio. Após a filtragem, a água é direcionada para um tanque de reuso, também confeccionado com placas de alvenaria, sendo então transportada por meio de uma bomba elétrica para uma caixa d'água para ser utilizada na plantação ou na criação de animais.

A tecnologia foi criada a partir de um projeto do Centro Feminista 8 de Março, do Rio Grande do Norte, com mulheres assentadas  rurais e a Universidade Rural do Semiárido (UFERSA), que buscava alternativas de convivência com a estiagem no semiárido. O projeto “Água Viva: Mulheres e o redesenho da vida no semiárido do Rio Grande Norte” foi premiado pela Fundação Banco do Brasil em 2015.

Ao padronizar o sistema de reuso da água, o governo federal possibilita a democratização da tecnologia e da água no sertão. “Ao se padronizar mais uma tecnologia social, o Programa Cisternas amplia o leque de soluções de acesso à água, oferecendo uma nova possibilidade de atendimento da população rural de baixa renda”, destaca o coordenador de Acesso à Água para a Produção de Alimentos do Ministério, Vitor Leal Santana.

Acesse: 
Instrução normativa que padroniza o Sistema de Tratamento e Reuso de Água Cinza Domiciliar

Dona Liduina Leal Martins, 53 anos, moradora da comunidade Aroeiras, em Quixeramobim (CE), recebeu a tecnologia em fevereiro deste ano. Ela conta que enquanto a chuva não chega, sua cisterna é abastecida pela prefeitura. Cada litro de água precisa ser economizado e o novo sistema tem sido muito eficiente no combate ao desperdício, ela contabiliza que já economizou 12 mil litros em três meses. “Em cada 7 mil litros que vem do caminhão-pipa, consigo reaproveitar 5 mil litros”, afirma.

A agricultora familiar já percebe a diferença no quintal produtivo com acerolas, mamão e hortaliças. “Além de ter um quintal bonito, o mais importante é ver o quanto de desperdício de água nós temos. Esse projeto me deixou uma lição que cada gota d’agua que você desperdiça é um absurdo”, ressalta. “Além de melhorar o meio ambiente, vai melhorar a situação financeira e a alimentação”, completa Liduina.

Informações para a imprensa:
Ascom / Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
(61) 2030-1021
www.mds.gov.br/area-de-imprensa