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Debate político atual é sobre corte de gasto social, avaliam blogueiros

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Para Tereza Campello, agenda política representa um risco de voltar à situação de fome e de desnutrição. Ministra ainda criticou o pouco espaço na mídia para a defesa das políticas sociais
publicado  em 04/05/2016 16h56
Foto: Lia de Paula/MDS

Brasília – “A agenda social é sempre muito polêmica, seja na academia ou na mesa de bar”, afirmou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, logo no início da conversa com nove blogueiros, de diferentes estados, nesta quarta-feira (4), em Brasília. Segundo a ministra, a atual agenda política aumenta o preconceito contra as camadas mais pobres, principalmente contra as mulheres e os negros, que são maioria entre os beneficiários do Bolsa Família.

Tereza avaliou que o nível de preconceito e agressão observado nas redes sociais contra a população pobre é alarmante e perigoso. “É um debate da época da escravidão”, destacou. A opinião foi compartilhada pelos blogueiros. Para eles, a agenda política atual real é sobre a redução de gastos sociais.

Miguel de Oliveira, de O Cafezinho, manifestou o estranhamento com a cobertura da grande mídia sobre o projeto Travessias, defendido por um eventual governo de transição e vazado pela imprensa. Para ele, faltou debate às propostas, que simplesmente foram apresentadas sem confronto com os resultados da política existente e em uma situação de total descompromisso com as políticas sociais. “A vida de milhares de brasileiros está em jogo e a imprensa não faz um debate responsável.”

A ministra propôs que fosse realizado um debate real com a sociedade sobre o assunto. Isso porque hoje se fala sobre o custo do programa social, mas não se discute os benefícios decorrentes dele, para toda a sociedade. O Brasil hoje tem sua primeira geração de crianças sem fome e na escola, em decorrência da política desenvolvida. E ainda ocorreu grande redução de tuberculose e hanseníase entre os mais pobres.

“Então, vamos fazer quanto custaria não pagar o Bolsa Família? Eu topo fazer esse debate. Quanto custaria para o Brasil, em 2020, ter excluído essas famílias e ter tido a volta do trabalho infantil?”, questionou, para arrematar que, quem defende a redução ou mesmo o fim do programa, não quer fazer essa pergunta.

Tereza Campello lembrou que o programa social que está sendo desenvolvido pelo eventual governo de transição defende a redução do Bolsa Família para apenas 5% da população. Na prática, a medida significa a exclusão de mais 36 milhões de pessoas, sendo 17 milhões de crianças. “O debate hoje é sobre incluir e excluir”, afirmou. Ela ainda lamentou o fato de os envolvidos sequer serem ouvidos por aqueles que propõem a exclusão.

Maria Carolina Trevisan, do Jornalistas Livres, destacou a importância da Busca Ativa, criada a partir do Plano Brasil Sem Miséria. Por meio dessa iniciativa, explicou a ministra, pela primeira vez na história o Estado brasileiro foi atrás da população mais pobre, para inclui-los no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e garantir que tenham acesso aos programas e serviços. “Nós queremos saber o que a família tem para organizar a rede de proteção social, que não é só renda.”

Já Lola Aronovich, do Escreva Lola Escreva, reforçou que o Bolsa Família permitiu às mulheres reforçarem seu papel social e se empoderarem. Ela ainda criticou o discurso da elite “estacionada em uma ideia dos anos 60, de quando a mulher brasileira tinha seis filhos, e que esquece que hoje tem, em média, dois”.

Daniel Peres, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), defendeu que se parasse de olhar o Bolsa Família como um programa assistencialista. E que a sociedade precisa ver seu caráter desenvolvimentista, uma vez que há impacto sobre a economia local.

Conceição de Oliveira, do Blog Maria Frô, destacou que nos últimos 13 anos, por conta do Bolsa Família, se viu um salto na educação brasileira, do desenvolvimento da criança na escola e na redução da mortalidade infantil. A ministra Tereza Campello trouxe alguns números sobre o tema e mostrou o impacto do programa na educação, como a redução da desigualdade. “Quantas crianças pobres chegam ao final do ensino fundamental na idade certa?”, questionou, lembrando que muitos chegavam apenas aos 18 anos.

“Se uma criança chegar ao final do ensino fundamental muito defasada, a chance ingressar no ensino médio e continuar estudando é praticamente nenhuma”, explicou a ministra. Em 2002, apenas 32% das crianças mais pobres chegavam ao ensino médio na idade correta. Hoje são quase 60%.”

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