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Jade Soares é exemplo de inclusão de transexuais no Bolsa Família

PROTEÇÃO SOCIAL

Conselheira municipal de assistência social, ela garantiu que pessoas trans de sua cidade fossem incluídas no Cadastro Único
publicado  em 03/02/2016 10h08

Brasília – Acessar a rede de proteção social é direito de todo indivíduo. A inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, ao mesmo tempo em que permite as famílias de baixa renda receberem o complemento de renda do Bolsa Família, amplia o acesso a serviços básicos de saúde, educação e assistência social. 

Em Santa Luzia do Norte, cidade alagoana da região metropolitana de Maceió, Jade Soares começou, em 2008, uma busca pelo benefício. Sua dificuldade ao inscrever-se no cadastro foi provar que era mulher chefe de família e incluir seu companheiro como beneficiário. Jade é mulher transexual, casada há 13 anos, e assumiu sua identidade e seu nome social há 16 anos. Em 2009, tornou-se beneficiária do Programa Bolsa Família. 

“Não é por ser transexual que precisamos receber o benefício. A gente é cidadã e tem direito como qualquer outra pessoa. A gente sabe da importância que esses programas têm para a vida dos cidadãos brasileiros”, diz Jade. Ela conta que são inúmeras as dificuldades das pessoas transexuais e transgêneras na sociedade, principalmente para conseguir um emprego formal. “Nossa identidade de gênero não coincide com a nossa identidade civil.” 

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Todos os dias, ela vai de ônibus até a capital alagoana para vender amendoim e ovo de codorna na praia. Um trajeto de 23km. Como não tem renda mensal fixa, o complemento de renda recebido do governo federal é usado para cobrir os custos básicos da residência, como água, luz e gás. “O Bolsa Família é como se fosse um pronto-socorro para as nossas principais necessidades, como aluguel de casa, medicação e alimentação.” 

Além da pesada rotina diária de trabalho, Jade ainda atua no Conselho Municipal de Assistência Social de Santa Luzia do Norte, onde cumpriu dois mandatos como presidenta. Também faz parte da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil, onde participa de encontros e debates para defender e promover os direitos de travestis, transexuais e transgêneros. 

Ela também batalhou pela edição de um decreto municipal que garantiu às mulheres transexuais o direito de serem inseridas no Cadastro Único com sua identidade social. Com isso, ela e outras puderam se cadastraram para o Minha Casa Minha Vida e aos poucos vão garantindo seus direitos e consolidando seu espaço na sociedade. 

“Essa minha vida de ativista só é possível graças ao Bolsa Família. Sem a bolsa para cobrir as principais contas, eu não teria dinheiro para estar viajando, comprando roupas para participar desses encontros”, conta Jade, que se diz a primeira transexual a ser beneficiada pelo programa em Alagoas. 

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