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Formalização de aprendizes é caminho para enfrentar trabalho infantil

APRENDIZAGEM PROFISSIONAL

Ministra Tereza Campello destacou importância da estratégia de inclusão produtiva e de acesso à educação para que jovens mais pobres tenham oportunidades de inserção qualificada no mercado de trabalho
publicado  em 12/04/2016 16h00

Brasília – Apesar da pouca idade, Cristina Santos, 15 anos, já trabalhou muito. Quando criança era obrigada a trabalhar em uma fazenda em Planaltina (GO) para contribuir para o sustento da casa. “Meu pai me explorava. Batia muito em mim e nos meus irmãos para que a gente trabalhasse. Às vezes, não tínhamos nem o que comer.”

O sofrimento fez com que ela e a irmã fugissem para Brasília, para procurar ajuda. Na capital federal, foram acolhidas em um abrigo e começaram a viver como crianças de verdade, brincando e estudando.

Hoje, ela voltou a trabalhar. Mas agora legalmente, na condição de aprendiz. Todos os dias da semana, ela sai do abrigo, localizado em Taguatinga, região administrativa da capital federal, antes das 7h, para cursar o segundo ano do Ensino Médio. No período da tarde, ela é aprendiz no Banco Central, onde recebe uma bolsa mensal de R$ 620. E toda terça-feira, participa de capacitação na unidade do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) no Distrito Federal.

A rotina ocupada da jovem é um dos passos necessários para conquistar seu objetivo maior: cursar medicina. “Você adquire conhecimento e maturidade para organizar a vida”, conta. “Eu era muito mais tímida. Você perde isso, ganha mais vocabulário, aprende como se comportar. Esse conhecimento é para a vida toda.”

Cristina contou sua história nesta terça-feira (12), no seminário Aprendizagem Profissional e Inserção Qualificada de Adolescentes e Jovens no Mercado de Trabalho, promovido pelo CIEE e pela Fundação Roberto Marinho. “Na década de 90, o trabalho infantil tinha crianças de 9 anos de idade trabalhando em carvoarias e em tantos lugares perigosos. Em menos de 20 anos, transformamos completamente esta realidade. Eu tenho orgulho em dizer que o Brasil erradicou o trabalho entre as crianças”, afirmou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, que participou da abertura do evento.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 80% do trabalho infantil está atualmente concentrado na faixa etária de 14 a 17 anos. A maioria desses jovens é do sexo masculino (65,5%), vive em áreas urbanas (69%), recebe remuneração (74,9%), trabalha em média 26 horas por semana e frequenta a escola.

“As ocorrências hoje são de jovens maiores de 14 anos, nos grandes centros. Tem um jeito fácil de erradicar o trabalho infantil no Brasil: levar jovens com mais de 14 anos para a aprendizagem e formalizar nosso jovem. Eles poderão continuar trabalhando, com mais qualidade, em segurança”, explica a ministra.

Mais oportunidade – No encontro, Tereza Campello defendeu a garantia de oportunidades para as famílias, principalmente para os jovens mais pobres. “Em uma sociedade que fala tanto em meritocracia, não é certo competir entre os desiguais. O Brasil só vai deixar de ser um país tão desigual se pudermos incluir as pessoas que não tiveram tantas oportunidades.”

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2014 mostram que 41,2% dos 697,2 mil jovens aprendizes estavam inscritos no Cadastro Único para Programas do Governo Federal. Destes, 123,3 mil são beneficiários do Programa Bolsa Família.

Rhuan Oliveira, 16 anos, é um desses jovens que estão tendo mais oportunidades de melhorar a vida. Ele mora, com a mãe e dois irmãos, no Jardim Ingá, cidade goiana localizada no entorno do Distrito Federal, Eles são uma das 14 milhões de famílias que recebem a complementação mensal de renda do Bolsa Família.

Depois de passar por capacitação no CIEE, o jovem está trabalhando na Fundação Logosófica, em Brasília. Ele atua no setor financeiro, mas se dispõe a fazer serviços em toda a empresa. “Antigamente, não conseguia falar em público. Sempre falava de cabeça baixa, não olhava as pessoas nos olhos. Minha chefe me elogia muito por causa desta mudança. Todos respeitam e reconhecem o meu trabalho.”

Com os R$ 400 que recebe mensalmente, Rhuan contribui nas despesas da casa. “A conta de água sou eu quem pago. E o vale refeição, eu nem lembro mais a senha. Minha mãe que utiliza para comprar o que está faltando em casa.”

E o rapaz, que estuda no terceiro ano do Ensino Médio, vai estudar Engenharia. “Gosto muito de cálculos e é o curso que mais se encaixou para mim. Quando eu conseguir um emprego após o estágio, vou saber me virar muito bem, porque tenho uma experiência de trabalho que me ajudou muito.”

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