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A rota da comida saudável no Circuito Sul

SEGURANÇA ALIMENTAR

Revista Ideias na Mesa fala sobre as alternativas de circulação de alimentos que vão do campo para a cidade
publicado  em 10/09/2015 09h00

Vender com base na economia solidária e na Agroecologia, criando alternativas de circulação de alimentos que vão do campo para a cidade. E não só isso. Comercializar com preços justos capazes de remunerar o trabalho dos produtores e serem acessíveis aos consumidores. Assim surgiu em 2006 o Circuito Sul de Circulação de Alimentos da Rede Ecovida, no qual os produtos precisam ser oriundos da agricultura familiar, produzidos ecologicamente e certificados com o selo Rede Ecovida de Agroecologia. 

A exigência permite um nível de segurança alimentar para as famílias produtoras e consumidoras. Outra regra determina que as organizações devem se comprometer a comprar produtos comercializados por outras entidades participantes. A prática permite uma maior diversificação de alimentos dentro dos núcleos e reduz custos. 
A produção primária, as fases de classificação e limpeza, processamento dos produtos, embalagem e rotulagem são feitas nas propriedades rurais, pelas próprias famílias de agricultores. Os pedidos entre os membros do Circuito ocorrem por comunicações telefônicas e via internet, e o intercâmbio de produtos é realizado por caminhões e veículos dos próprios agricultores que se encontram nas estações e vão realizando a troca de produtos entreas rotas. 

A cada 45 dias ocorre uma reunião, na qual produtores representantes de suas estações, associações e cooperativas se encontram para tomadas de decisões, formação de preços, planejamentos, logística e organização das ofertas e demandas.

Cristiano Motter, técnico agrícola do núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida, explica que o sistema reduz os gastos com frete, já que os caminhões, que sempre voltavam vazios da entrega de mercadorias, agora retornam aos núcleos carregados. Essa forma de comercialização reduz ainda acirculação de dinheiro, empregado apenas nas situações em que há diferença no valor dos alimentos trocados. 

O número de famílias de agricultores envolvidas no processo de circulação passou de 572 em 2006, para cerca de 1500 em 2014. Nesse ano, 3.535 toneladas de produtos passaram pelo Circuito. A distribuição dos alimentos agroecológicos beneficia 15 entidades, 37 municípios e 500 escolas. Hoje, os alimentos circulam por estações-núcleo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. 

“O Circuito da Rede Ecovida é um dos responsáveis pelo aumento do número de agricultores e agricultoras que buscaram a conversão da produção convencional para agroecológica, possibilitando também o resgate do cultivo de vários produtos que não estavam mais sendo plantados por falta de mercado. Aumentou a circulação de produtos e hoje comercializamos quase 150 itens”, explica José Antônio da Silva Marfil, diretor da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (Aopa), uma das fundadoras do Circuito. 

Ainda segundo Marfil, nas feiras agroecológicas os consumidores passaram a ter produtos com valores mais baixos que os orgânicos ofertados nas redes de mercado. 

Desafios e incentivo público - A demanda por produtos agroecológicos já é maior que a oferta, e, para Marfil, um dos desafios atuais Foto cedidapelo projeto é aumentar o hábito de consumo de alimentos orgânicos não só nas capitais, mas também em pequenas cidades e vilarejos distantes dos grandes centros consumidores. 
Embora ainda não totalmente eficientes para os agricultores familiares, políticas públicas têm aumentado a demanda por produtos agroecológicos,antes presentes apenas nas feiras. O mercado escolar ganhou maior dimensão em 2010, quando teve início a obrigatoriedade da compra de produtos da agricultura familiar para alimentação escolar. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) determina que no mínimo 30% das compras feitas para esse fim devam ser da agricultura familiar local. 

A Aopa, por exemplo, atendia a 150 famílias de produtores rurais em 1995. Graças ao fornecimento para a alimentação escolar, o número passou para 800 em 2010. O primeiro contrato com a Secretaria da Educação foi no valor de R$ 69 mil. Para 2015, o contrato até o fim do ano é de R$ 4,5 milhões. De acordo com Marfil, a demanda de produtos agroecológicos pelas escolas vem ajudando a manter os agricultores no meio rural.

Fonte: Revista Ideias na Mesa. Acesse aqui a revista completa.