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Manifesto em defesa da comida de verdade

5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional

Documento será apresentado na 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
publicado  em 05/11/2015 09h57
Exibir carrossel de imagens Foto: Ana Nascimento/MDS

Brasília – Os participantes da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional divulgam, nesta quinta-feira (5), um manifesto em defesa da comida de verdade. O objetivo é mostrar para a população todos os aspectos que traduzem o que é uma alimentação adequada e saudável. 

Segundo a professora do departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) e conselheira nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Elisabetta Recine, a alimentação não tem só uma perspectiva biológica e nutricional. “Esse é um processo que envolve vários elementos, a forma como o alimento é produzido, as relações sociais e econômicas que se estabeleceram, além da questão do patrimônio alimentar e da sustentabilidade.” 

Representante da matriz africana pelo estado do Espírito Santo, Helder Coelho, acredita que o acesso ao alimento saudável depende de como é feita a produção. “Temos a nossa culinária e aproveitamos tudo o que a terra dá, sem o uso de agrotóxicos.” 

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Para ele, a conferência é uma oportunidade para defender as sementes antigas. “A nossa maior riqueza são as sementes. Quando a pessoa ganha um grau maior na nossa religião, ela recebe sementes para plantar e levar essa descendência. Essas sementes são chamadas de favas.” 

Na opinião da agricultora familiar Valdira Rodrigues da Silva Martins, comida de verdade tem que “ser muito natural, sem agrotóxico, como era antigamente”. Representante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Morrinhos (GO), ela produz leite e hortaliças, além de criar galinha caipira. O excedente da sua produção é vendido para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) há quatro anos. 

Rafael Moçambite, representante do povo indígena Ticuna, do Amazonas, defende a valorização do produto natural como comida de verdade. “Além de muito rico, esse produto garante vida longa”, garante. O indígena conta que sua comunidade colocou em pauta a “eliminação dos produtos tóxicos”. “As comidas ultraprocessadas estão provocando doenças nas nossas crianças.” 

A comunidade é a segunda maior aldeia do rio Solimões com 12 mil indígenas. A macaxeira é o alimento mais produzido. “Fazemos na nossa aldeia diversos produtos ricos e naturais, como o beiju, o pé de moleque [mistura de macaxeira com banana] e a farinha.”

 

O que é comida de verdade? 

“Comida de verdade é o que a gente sempre colhe na comunidade, sem agrotóxico, que colhe com as próprias mãos, que você derrama seu suor. Aquela que você tem o prazer de fazer e sabe o que está fazendo.”

Ciro Ramos Costa, agricultor familiar, representante do quilombo Juçarau dos Preto -

Presidente Juscelino (MA) 

“O conceito varia desde o aspecto visual até as características sensoriais dos alimentos. A quantidade adequada não pode interferir em outras necessidades das famílias e tem que ser ofertada de forma permanente. Comida de verdade é quando se consegue ofertar à população o acesso a alimentos de qualidade.”

Edgar de Oliveira Neto, sanitarista e nutricionista da prefeitura de João Pessoa (PB) 

“A nossa comida é aquela que está perto de nós. Não temos uma comida tradicional. Quando estão arranchados [instalados] por um tempo, plantamos no pequeno espaço que possuímos.”

Maria Jane Soares Tajino Cavalcante, presidenta da Associação Comunitária dos Ciganos de Condado (PB) 

5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional segue até sexta-feira (6), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a presença de cerca de 2 mil pessoas, entre delegados, convidados, representantes da sociedade civil e observadores internacionais. 

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