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Representantes indígenas participam de encontro em Brasília

CONFERÊNCIA

Lideranças discutem propostas para 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que ocorre nesta semana, em Brasília
publicado  em 02/11/2015 20h42
Ana Nascimento/MDS

Brasília – O líder terena Lucas Paiva Flores levou quase seis horas da comunidade onde mora em Dourados (MS) até Brasília para participar do Encontro de Delegados Indígenas, evento preparatório para a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que começa nesta terça-feira (3), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Para o indígena, a conferência é uma oportunidade para as lideranças de diversas etnias apresentarem suas propostas para o aperfeiçoamento das políticas públicas de acesso à terra e à segurança alimentar e nutricional. “Estamos esperando que o encontro seja de muito bom proveito para os indígenas. Queremos ações concretas do governo. Estamos trazendo a voz dos sem vozes, do povo que está la nas aldeias, na ponta.”

Segundo ele, outra pauta que será discutida no encontro é uma moção contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que altera as regras para a demarcação de terras indígenas, de remanescentes de comunidades quilombolas e de reservas. “Neste momento, as comunidades indígenas estão sentindo o grande impacto dessa proposta. Esta é a hora de protestarmos.” O Encontro de Delegados e Delegadas Indígenas começou na tarde desta segunda-feira (2) e segue até terça-feira (3), com a participação de 66 lideranças de todos os estados.

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Durante a abertura do evento, o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, afirmou que os indígenas têm muito a contribuir com a conferência nacional, o que vai possibilitar a reorganização das políticas públicas para o enfrentamento dos desafios relativos à produção, ao abastecimento e ao acesso a alimentos adequados e saudáveis. “A comida de verdade, tema da conferência, passa pela valorização da tradição alimentar dos indígenas. Queremos a contribuição desses povos.”

Arnoldo também destacou que o país "vive um momento de risco de retrocesso nas políticas sociais”. A conferência, disse ele, é oportunidade "para produzirmos uma mensagem forte para o país”. “Estamos aqui para nos articular contra quem está falando que tem que cortar programas como o Bolsa Família. Nossa força está na diversidade e a conferência vai evidenciar isso. Estamos aqui para construir propostas e comemorar os avanços conquistados em diversas políticas”, afirmou ele, citando exemplos de ações e programas, como o de fortalecimento da agricultura familiar, o de Aquisição de Alimentos (PAA), a merenda escolar e a demarcação de terras indígenas.

A presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Maria Emília Pacheco, também ressaltou que o conselho é contra qualquer retrocesso nos programas sociais que possibilitaram a melhoria do acesso a alimentos.

Para ela, “é uma honra começar a conferência com o encontro dos indígenas”, simultâneo ao evento para convidados internacionais. “O lema escolhido é um tema que muito interessa ser debatido do ponto de vista dos indígenas porque falar em comida de verdade é reconhecer o papel histórico que tem esses povos na domesticação de plantas que se transformaram nos nossos alimentos.”

Segundo Maria Emília, é importante que a sociedade compreenda e valorize a responsabilidade dos povos indígenas e de outras comunidades tradicionais na manutenção da diversidade dos alimentos nos diferentes biomas.

5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional será realizada entre terça (3) e sexta-feira (6), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a presença de cerca de 2 mil pessoas, entre delegados, convidados, representantes da sociedade civil e observadores internacionais.

Com o lema Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar, o evento é estratégico entre as iniciativas para se atingir as metas de erradicação da extrema pobreza no país. Tem como objetivo geral ampliar e fortalecer os compromissos políticos para a promoção da soberania alimentar, garantindo a todos o direito humano à alimentação adequada e saudável, assegurando a participação social e a gestão intersetorial no Sistema, na Política e no Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

 


 

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