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Agricultores defendem ações de convivência com o Semiárido

AGRICULTURA FAMILIAR

Evento na Bahia contou com a participação de mais de 20 mil pessoas a favor da continuidade e ampliação de políticas públicas de convivência com a região
publicado  em 17/11/2015 16h32
Foto: Monyse Ravena

Brasília – Cerca de 20 mil agricultores e agricultoras familiares participaram de ato público, nesta terça-feira (17), em Juazeiro (BA), a favor da continuidade e ampliação das ações de convivência com o semiárido e em defesa do rio São Francisco. Com o lema Semiárido vivo: Nenhum direito a menos, o ato foi realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Levante Popular da Juventude e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Os organizadores da ação chamaram atenção para a necessidade de recursos para políticas e programas para o Semiárido, como o Bolsa Família, a implementação de cisternas de placas para captação de água da chuva para consumo humano e para produção de alimentos, política de acesso a crédito, o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“Estamos aqui para dizer que não aceitamos nenhum direito a menos. Nós queremos a continuidade desse programa de convivência com o Semiárido. Somos protagonistas do Semiárido. Queremos que nossos direitos continuem sendo garantidos”, afirmou o coordenador da ASA, Naidison Baptista.

Acesso à água – “E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos.” Assim acaba o clássico da literatura brasileira Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que retratou a luta dos retirantes do Semiárido pelo acesso à água e pela sobrevivência. Realidade essa que durou até pouco tempo atrás, há pouco mais de 12 anos, quando o governo federal começou a desenvolver o Programa Cisternas, executado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com ASA, outras organizações da sociedade, governos estaduais e consórcios de municípios.

Desde então, as cisternas – solução simples e de baixo custo – já mudaram a vida de milhões de sertanejos. O acesso à água possibilitou melhoria da qualidade de vida e da saúde das famílias. As maiores beneficiadas são mulheres e crianças, sobre quem recaía a tarefa de ter que caminhar longas distâncias e perder várias horas do dia para buscar água. Antes das cisternas, cada família perdia, em média, até seis horas por dia para ir buscar água em açudes – tempo que hoje pode ser dedicado a outras tarefas e para a melhoria da convivência familiar.

Mais de 1,2 milhão de famílias deixaram de recolher água com a lata d’água na cabeça, por receberem as unidades de captação da água da chuva. Ao todo, o Semiárido ganhou uma capacidade de armazenamento de 19,2 bilhões de litros de água. “Os investimentos contínuos ao longo dos anos, somados a uma parceria forte entre o governo federal, estados, municípios e sociedade civil, tem possibilitado ao Semiárido brasileiro conviver com os efeitos da seca, e não mais combatê-los, como era a cultura no passado”, afirma a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

A construção das cisternas ainda gera renda nos municípios, promovendo o desenvolvimento local. Já foram investidos mais de R$ 3 bilhões na compra de insumos e na capacitação e pagamento de mão de obra. Toda a comunidade é mobilizada para atuar no projeto. Este é um aspecto central do modelo de tecnologia social apoiado pelo MDS, gerando um sentimento de conquista e apropriação que contribui com o processo de gestão da água e do equipamento instalado. Além disso, todas as famílias beneficiadas participam de cursos de formação sobre a gestão e o tratamento da água armazenada.

Água para plantar – A captação da água da chuva também tem ajudado o agricultor familiar do Semiárido a voltar a produzir alimentos e criar animais. Mais de 152 mil agricultores da região já receberam tecnologias sociais de captação e armazenamento de água de água para plantar e criar animais. São cisternas do tipo calçadão e de enxurrada, barragens subterrâneas e barreiros trincheira, entre outros modelos, com capacidade para até 52 mil litros de água, que armazenam água no período da chuva.

A convivência com a estiagem também tem lugar nos bancos escolares, onde milhares de crianças e jovens estão diariamente e a água é um bem essencial. Estão sendo construídas 5 mil cisternas para captação de água da chuva em escolas públicas até 2016.

A cisterna escolar é construída nos mesmos moldes das cisternas de água para consumo familiar. Feitas com placas de cimento, a cisterna escolar tem capacidade maior de armazenagem (52 mil litros) e pode garantir o acesso à água por oito meses (contando 20 dias de aula por mês). “Elas ampliam o acesso à água no ambiente escolar, servindo para consumo e preparo dos alimentos servidos nas escolas. Os reservatórios evitam a contaminação por verminoses e doenças, contribuindo para que as crianças entendam como conviver com a seca. A água é um direito delas”, destaca o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos.

A ação também capacita os professores para a gestão da água captada e armazenada, com orientação sobre a finalidade da água coletada, a importância da educação alimentar e nutricional e temas de convivência com a estiagem para serem desenvolvidos com os estudantes. O valor repassado pelo MDS inclui ainda a implantação de bomba elétrica e a compra de filtros de barro para utilização e tratamento da água coletada.

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