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A história de Iranilda Catarina: “As mulheres não são tão frágeis assim como o povo pensa”

ACESSO A ÁGUA

No ano passado, ela e mais quatro mulheres do quilombo Acauã (RN) aprenderam a profissão de cisterneiras
publicado  em 06/03/2015 19h00

Brasília, 6 – No Semiárido, as políticas sociais vêm transformando o cotidiano de milhares de mulheres que deixaram de ir atrás de água para beber e preparar os alimentos. Das mais de 788 mil cisternas construídas na região desde 2011, 73% foram entregues a mulheres. “Temos estudos que mostram que cada mulher perdia, em média, quatro horas por dia para ir buscar água. Há relatos de pessoas que caminhavam até 10 quilômetros para ter água para beber”, lembra a ministra Tereza Campello.

Iranilda Catarina da Silva, 26 anos, mora no quilombo Acauã, próximo ao município de Poço Branco (RN). Ela conta que tinha que caminhar três quilômetros até a cidade para encher uma lata de 20 litros com água. As duas viagens que fazia por dia tomavam toda a manhã da agricultora familiar. Em 2006, recebeu a cisterna de 16 mil litros para armazenar água da chuva. A melhoria de vida, Iranilda conta que percebeu no paladar. “A água da cisterna é muito boa, ela é doce. Antes, era bem salgada”, diz.

Em 2014, Iranilda e mais quatro mulheres pegaram as enxadas, colocaram a mão na massa e aprenderam uma nova profissão que exercem até hoje: cisterneiras. “O reservatório calçadão da minha casa fui eu quem construiu”, ressalta a quilombola que já fez mais de 10 unidades na comunidade. “No início, algumas pessoas diziam que não queriam uma cisterna construída por mulher porque ia vazar água. Não ocorreu isso em nenhuma que fizemos e agora todos querem uma cisterna.”

Por cada reservatório construído – com capacidade de 52 mil litros, Iranilda ganha, em média, R$ 600 que utiliza para a alimentação, para comprar roupas e material escolar para os três filhos. Para as próximas semanas, a cisterneira está com a agenda cheia. Ela vai construir mais cinco cisternas no quilombo Acauã. Reforça que não aceita mais o preconceito em relação às mulheres. “As mulheres não são tão frágeis assim como o povo pensa”, afirma. “A água tem gerado vida e renda para a nossa comunidade.” Atualmente, Iranilda e mais 50 famílias do quilombo vivem uma nova expectativa: em maio deste ano, elas irão receber residências do Programa Minha Casa, Minha Vida.

No campo, as políticas públicas também contribuem para que as mulheres ajudem na alimentação dos filhos e na renda. Um exemplo disso é a presença feminina nas chamadas públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater): 30% dos postos de extensionistas e 30% dos beneficiários devem ser de mulheres. Das 147,4 mil famílias que fazem parte do Programa de Fomento às Atividades Rurais, 76% têm a mulher como responsável pelo cartão que recebe os recursos do governo federal.