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Seminário discute perspectivas para sociobiodiversidade

SOCIOBIODIVERSIDADE

Para ministra Tereza Campello, desenvolver o potencial dos produtos da sociobiodiversidade e gerar renda para as comunidades é desafio
publicado  em 20/05/2015 18h22
Foto: Ana Nascimento/MDS

Foto: Ana Nascimento/MDS

Brasília, 19 – A grande produção de açaí em Curralinho, no Pará, não entra nas estatísticas oficiais brasileiras, que dão ao município o título de menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país. A história sobre o alimento tradicional da culinária paraense foi narrada na mesa de abertura doII Seminário Nacional da Sociobiodiversidade, nesta terça-feira (19), em Brasília, e virou exemplo destacado pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, de como a sociobiodiversidade tem um potencial social, político e econômico “gigantesco, fantástico”, ainda a ser explorado.

A ministra participou do evento e disse ser inaceitável discutir meio ambiente sem falar em inclusão social da população. “Quando falamos em preservação de biomas, não podemos ignorar milhões de brasileiros que dependem desses territórios para sobreviver.”

A população extrativista, afirmou Campello, é uma das mais invisíveis do país. “Muitos vivem em uma situação de pobreza que não podemos admitir, pois essa situação coloca em risco a questão ambiental. O desafio é desenvolver o potencial dos produtos da sociobiodiversidade, valorizar e gerar renda para as comunidades. Este é um dos vetores mais estratégicos para mantermos nossos biomas preservados, garantindo a melhoria de renda para todos.”

Para o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos, o seminário vai estabelecer novos compromissos em torno da agenda da sociobiodiversidade. “Essa agenda tem o objetivo de melhorar a organização produtiva e econômica, o acesso a mercados, a agregação de valor, as compras públicas e as parcerias com o setor privado para que haja mais renda com a floresta em pé. Nossa intenção é incentivar a valorização dos produtos das nossas florestas para que eles sejam mais conhecidos pela população e mais consumidos também.”

Para a vice-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Edel Moraes, as comunidades tradicionais querem mais visibilidade para sua produção. “O que hoje buscamos é a visibilidade dessa produção, que é importante para a economia do nosso país. Essa valorização passa pelo fortalecimento das ações e das políticas públicas voltadas para nossas comunidades. Precisamos aprimorar o processo de organização produtiva e garantir geração de renda para nossos produtores.”

II Seminário Nacional da Sociobiodiversidade reúne até esta quarta-feira (20) representantes dos governos federal e estaduais, terceiro setor, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares, empresários, instituições de pesquisa e fomento e agentes financeiros. O objetivo é discutir ações integradas para o fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade. 

A coordenação do evento é dos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Meio Ambiente (MMA) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Rede Cerrado e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). 

Ouça:
Sociobiodiversidade e produção orgânica são temas de seminário

Sustentabilidade – “Nosso maior interesse é a proteção da sociobiodiversidade aliada à sustentabilidade. Neste ambiente de discussão, podemos defender uma política que respeite nossos conhecimentos e se adeque à realidade local, para que, a partir das experiências dos povos tradicionais, possamos trabalhar a cultura alimentar buscando a segurança e a soberania nutricionais”, disse Tainá Marajoara, que participa do seminário em Brasília.

Ela integra a Rede de Cultura Alimentar desde 2013, quando a iniciativa foi fundada com o objetivo de atuar na construção de políticas públicas. A rede está presente em todas as regiões do país. Participam da iniciativa agroextrativistas, agricultores familiares, produtores de queijo, pesquisadores na área da alimentação, povos coloniais do sul do Brasil e chefes de cozinha. 

Tainá também é facilitadora na região Norte do Slow Food Brasil e atua na mobilização e articulação do movimento, desenvolvendo projetos de preservação da sociobiodiversidade. O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção. O Slow Food opõe-se à tendência de padronização do alimento no mundo, e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados.

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