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Renda incentiva acesso à educação

BOLSA FAMÍLIA

Beneficiários do Bolsa Família, alunos de escola de ensino médio no Ceará entram em universidade e sonham com futuro melhor
publicado  em 25/05/2015 15h52
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Foto: Ubirajara Machado/MDS

No final de agosto, o jovem Gustavo Torres, 17 anos, embarcará para a Califórnia (EUA) para cursar Engenharia Física na renomada Universidade de Stanford, celeiro de ganhadores do Prêmio Nobel. Aluno aplicado, ele foi aceito também por outras quatro grandes instituições de ensino superior norte-americanas: Harvard, Duke, Columbia e MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). A viagem marcará uma mudança radical na trajetória da família Torres dos Santos.

Gustavo nasceu pobre. Morador do Capão Redondo, uma das áreas mais violentas da Grande São Paulo, beneficiário do Bolsa Família, o filho da cuidadora de idosos Juldete Torres dos Santos e do eletricista Adalberto Claro da Silva se dedicou aos estudos: “Sempre soube que os estudos possibilitariam a realização dos meus ideais. Até mesmo quando eu me sentava no fundão da sala de aula, eu procurava ensinar os alunos mais bagunceiros, e eles me deixavam mais descontraído, menos nerd, reduzindo minha timidez”, revela.

O adolescente foi aluno da Escola Estadual Miguel Munhoz Filho. Depois de exibir bom desempenho em uma olimpíada de matemática, ganhou a indicação da professora para disputar uma bolsa no Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart), organização que apoia estudantes de baixa renda e oferece bolsas de estudos em colégios particulares de excelência em São Paulo e no Rio de Janeiro. Gustavo ganhou bolsa também para estudar inglês.

Mesmo com a pesada rotina de estudos, foi dar aulas na sua antiga escola do Capão Redondo aos sábados, para ajudar colegas que tinham interesse em conseguir bolsa de estudos como ele. No início deste mês, o adolescente, que sempre sonhou em estudar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde também foi aceito, optou por Stanford. “O lugar tem mais a ver comigo e serei mais feliz lá”, acredita.

Gustavo ganhou bolsa da instituição de US$ 62 mil por ano e quer voltar ao Brasil após a conclusão do curso de quatro anos. “Quero fazer a diferença aqui e retribuir toda a ajuda recebida.”

Do lixão à academia – A mesma motivação em compartilhar o conhecimento adquirido é demostrada por Dorival Gonçalves dos Santos Filho. Aos 32 anos e cursando doutorado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dorival também contrariou as expectativas que a trajetória de pobreza da família pareciam lhe reservar.

Natural de Piedade, cidade do interior de São Paulo, Dorival acompanhava as incursões da mãe no lixão quando tinha quatro anos de idade. Catava material reciclável para tentar vender e garantir algum dinheiro complementar à renda da família, já que o pai trabalhava na área da construção e quase não ficava em casa. “Nós pegávamos tudo do lixão. Passava fome, fiquei muito doente, tive desnutrição”, conta.

Dorival precisou deixar os estudos na oitava série, embora a mãe, Crélia de Oliveira, que só chegou à 4ª série, sempre o incentivasse a estudar. “Ela me ensinou a gostar de ler me dando os gibis que encontrava no lixo”, conta. A volta aos estudos aconteceu bem mais tarde, quando ele já havia completado 20 anos.

“Não pensava em ir pra faculdade. Quando surgiu o ProUni, pensei em talvez fazer tentar o programa, mas queria mesmo só terminar o ensino médio.” Em 2004, com a complementação de renda do programa Bolsa Família paga à mãe, Dorival sentiu-se motivado a tentar o ensino superior. “Com o Bolsa Família, a renda deu uma melhorada e eu fui buscar meu sonho.”

Apaixonado pela leitura e pelas letras, estimulado também pelos professores e com uma biblioteca particular com centenas de títulos retirados do lixo, o ex-catador conquistou uma vaga na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) aos 24 anos. Em 2010, formou-se em Letras, com habilitação em francês. Tinha novos sonhos. Queria seguir a carreira acadêmica.

No ano seguinte, mudou-se para Florianópolis (SC) e iniciou o mestrado em Linguística. Dava aulas para se sustentar. “A primeira vez que pisei numa sala de aula como professor, eu chorei. Foi uma emoção enorme”, relata Dorival, que espera continuar lecionando e garantir uma vida melhor à família, que agora vive em Guará Mirim, na região norte de Santa Catarina. “Minha mãe está muito orgulhosa. Sou o primeiro filho a conseguir uma graduação. Eu agradeço muito todo o incentivo que recebi dela.”

Um novo ciclo – Como Gustavo e Dorival, toda uma geração de brasileiros dá passos firmes para superar a história de pobreza de seus pais por meio dos estudos. “Há uns 10 anos, se você perguntasse para os estudantes do 3º ano quem iria fazer universidade, três ou quatro levantavam a mão. Hoje, se você faz a mesma pergunta, 100% levantam a mão e acreditam que pode entrar na universidade”, afirma Humberto Antônio Nunes Mendes, coordenador da Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, em Fortaleza (CE), onde cerca de 80% dos alunos da escola são beneficiários do Bolsa Família.

Mendes conta que os adolescentes são estimulados a acreditar que suas conquistas não são individuais. São da família e da comunidade onde vivem. “Entendemos que eles podem ser agentes de transformação no meio onde vivem. O que nos move nesse trabalho pedagógico é isso. Sentimos que somos parte da conquista deles.”

O coordenador destaca que os resultados positivos são reflexo do trabalho dos professores, da gestão e de um projeto pedagógico ousado. “Muitos desses meninos são os primeiros de uma geração que estão entrando em uma universidade. Isso significa que eles estão acreditando que podem fazer diferente. Muitas vezes esses estudantes são as pessoas mais cultas de uma família carente.”

Ex-aluna da Adauto Bezerra, Rebeca Rodrigues, 18 anos, foi beneficiária do Bolsa Família. Aprovada para o curso de História da Universidade Estadual do Ceará, depois de fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela acredita que a exigência de frequência às aulas prevista no programa ajudou em sua trajetória. “Muita gente não sabe a importância que tem o Bolsa Família porque sempre tem tudo muito fácil. Para a minha mãe até hoje faz muita diferença.” 

Realizada por conseguir atingir um sonho que parecia impossível, Thays Cruz Souza, 17 anos, cursa Física na mesma universidade. Também beneficiária do programa de transferência de renda condicionada, ela diz que o benefício fez toda a diferença para a família. “Sempre enfrentamos dificuldades. Eu moro bem distante da escola e preciso pegar ônibus. Então, usava o dinheiro para passagem e merenda escolar porque eu ficava o dia todo na escola”, relembra a ex-aluna do Adauto Bezerra.

Em todo o Brasil, cerca de 17 milhões de alunos são beneficiários do Bolsa Família e 76.602 escolas têm maioria de alunos do programa.

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