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Assistência Social: qualidade de serviços é desafio para próximos anos

Suas

Participação de usuários do Suas reforçam objetivo de promover melhorias para a população que é atendida. Conferência municipal em Fortaleza ainda contou com participação de entidades e governos
publicado  em 07/08/2015 15h12

Fortaleza, 6 – A vida da aposentada Norma Maria Costa, 65 anos, mudou depois que ela conheceu o Centro de Referência da Assistência Social (Cras). Quando ficou viúva, ela ficou muito triste e não conseguia nem sair de casa. Na unidade, a equipe técnica a convenceu a participar do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e das reuniões familiares. A ampliação do convívio resgatou nela a alegria de viver. Ela se integrou à comunidade, fez novos amigos e ficou mais disposta até para se exercitar “Antes, eu ficava em casa sem fazer nada. Depois que comecei a frequentar o Cras, a minha vida melhorou bastante”, conta.

Dona Norma é uma das 300 pessoas, entre usuários, trabalhadores, gestores e conselheiros, que participam da XI Conferência Nacional de Assistência Social de Fortaleza, que começou na quarta-feira (5). Na abertura, foi anunciada a criação do Fórum Estadual dos Usuários do Sistema Único da Assistência Social (Suas), que já conta com a participação de pessoas de 20 municípios cearenses. “A gente precisa se organizar de forma nacional, estadual e municipal, fora dos conselhos. É preciso humanizar o Suas e empoderar os usuários.”, explicou o usuário e ex-integrante do Conselho Estadual da Assistência Social (CEAS), Michel Platiny Sousa de Moura.

Até esta quinta-feira (6), os participantes da conferência discutem os desafios do Suas para os próximos anos. Um dos temas mais importantes, segundo a secretária nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ieda Castro, é garantir serviços de qualidade à população. “Queremos qualificar os serviços, para que cada Cras, cada unidade da política de assistência social, tenha uma estrutura boa para atender dignamente a população.”

O secretário municipal de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Cláudio Ricardo Lima, destacou os resultados que a capital cearense está alcançando no atendimento à população em situação de rua. “Fortaleza tem uma dívida social muito grande, pois ainda é uma cidade apartada. Mesmo assim, avançamos muito. Nosso Centro Pop é referência Nacional”, conta. No município existem dois Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centros Pop), um Centro de Convivência específico e a Pousada Social, que oferece serviço de acolhimento e conta com 80 vagas.

A representante do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Patrícia Vieira, destacou que a política de assistência social é feita pela integração entre usuários, trabalhadores e gestores. “São esses atores que fazem a conferência. Esse processo [de conferências] é um exemplo de democracia e uma conquista do povo brasileiro.”

Participação – Elizângela Pitaguari é indígena e trabalha no Cras da Reserva Pitaguari, em Maracanaú, cidade da região metropolitana de Fortaleza. Ela conta que a assistência social mudou a vida de cerca de 1,6 mil indígenas que moram lá. A unidade já existe há 10 anos. “A gente não sabia nem o que era um Cras. Hoje, aprendemos porque a assistência é importante para a gente.”

Usuários, trabalhadores e gestores também estiveram reunidos no município. De acordo com a presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Maracanaú, Mary Anne Filgueiras Porto Rosa, foi a primeira vez que uma secretária nacional de Assistência Social participa da conferência lá. “Desde maio estamos realizando pré-conferências. Discutimos as vulnerabilidades de cada território, dos usuários, profissionais e entidades. Agora, fechamos com chave de ouro, com a participação da secretária Ieda.”

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