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Acesso à educação e à renda mudam a vida de Raimundo

PROGRAMAS SOCIAIS

Dedicação e persistência fazem agricultor familiar de 58 anos se dividir entre produção de alimentos e estudos na escola beneficiada com produtos que ele vende para o PAA
publicado  em 28/12/2015 13h02
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Foto: Ubirajara Machado/MDS

Mulungu (CE) – O cearense Raimundo Abreu, 58 anos, gosta de fazer bem tudo o que se compromete realizar. Nos últimos oito anos, o agricultor familiar de Mulungu (CE), município de 12 mil habitantes a 120 quilômetros de Fortaleza, vem superando desafios para ter uma vida melhor. Analfabeto até os 50 anos, não teve medo ou vergonha para recuperar o tempo perdido. “Foi muito difícil a minha vida durante a infância. Por isso que estou estudando agora para não ficar tão atrasado.”

Ele completou o ensino fundamental por meio do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Em 2015, o agricultor decidiu fazer o Ensino Médio, de forma regular, na Escola Estadual Professor Milton Façanha Abreu. “O estudo faz muito bem para a saúde. Além disso, o futuro é brilhante para quem está aberto a aprender e a receber mais conhecimento.”

Neste fim de ano, aprovado antecipadamente, afirma que não sente a diferença de mais de 40 anos entre os colegas de turma. “Os meninos me dão um apoio muito grande e têm um carinho medonho por mim”, conta. A disciplina que ele mais gosta é Biologia e já planeja fazer o curso superior de Agronomia. “Está mais próximo da minha vivência.”

“O Seu Raimundo é dedicado e bateu o pé para fazer o ensino regular. Os alunos costumam ver nele um espelho, um exemplo de dedicação e persistência”, afirma o diretor da escola, Luiz de França Leitão. “É uma pessoa que está vencendo os desafios da vida e aproveitando as oportunidades de crescer com o apoio dos programas sociais.”

O agricultor é beneficiário do Bolsa Família. Por mês, ele recebe R$ 380 para complementar a renda da sua família, composta por esposa, filha e dois netos. Neste ano, ele ainda vendeu R$ 6,5 mil em produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Os alimentos abastecem um hospital, o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e cinco escolas – inclusive onde Raimundo estuda. “É um sentimento muito bom ver os meus colegas de turma se alimentando bem. Os pais nem precisam ter preocupação com a merenda deles.”

O diretor Luiz de França também exalta a qualidade dos alimentos que chegam à escola, que tem 400 alunos. “É fundamental, porque adiciona nutrientes à alimentação dos alunos. Certamente comem aqui o que não comem em casa. Conseguimos observar uma mudança no comportamento alimentar dos alunos por conta dos produtos da agricultura familiar.”

A merendeira Francisca Angélica Brasil, 33 anos, estudou na escola durante a adolescência e confirma esta mudança. “Antes do PAA, não tínhamos alface e brócolis, por exemplo. São produtos de qualidade. Não temos do que reclamar”, afirma. Ela conta que o prato de maior sucesso que ela prepara é o creme de galinha, com salada de alface e tomate.

Transporte – A rotina de Raimundo começa às 6h da manhã, antes de sair para a aula. Na propriedade localizada na região montanhosa do município, ele planta e colhe hortaliças, tomate, beterraba, cenoura e pimentão. “O dinheiro [do PAA] me ajudou a quitar algumas contas e estou investindo para melhorar a produção.”

Os alimentos dos 27 agricultores familiares que participam do programa na cidade beneficiam quase 3 mil pessoas. “O PAA é um programa muito importante para nós. Ele dá um suporte para os agricultores familiares que têm dificuldade de escoar a produção, mantém as pessoas no campo e atende a demanda alimentar do município”, explica o secretário municipal de Desenvolvimento Agropecuário, Francisco Camurça.

O valor recebido com as vendas também ajudou Raimundo a gastar um pouco no Natal. E ele usou R$ 500 para ajudar a pagar uma motocicleta – o restante foi complementado pelo filho mais velho. Com o veículo, ele levava os produtos, às segundas-feiras, para a Central de Recebimento e Distribuição da Agricultura Familiar. “Para tirar os produtos daqui, não tem sido fácil. Se um carro vem buscar, quer cobrar R$ 60 pelo frete. Então eu levava em cima da moto, em duas ou três viagens.”

A questão do transporte, aliás, era um problema que afetava tanto aos produtores como quem recebe os alimentos. “Alguns professores ajudavam a buscar os alimentos com os próprios carros”, conta o diretor Luiz de França. Para resolver esta situação, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com o governo do Ceará, entregou no início de dezembro, 49 caminhões para transportar os alimentos de forma adequada. Em todo o país, o governo federal investiu R$ 148 milhões nesta ação.

Desenvolvimento – O comerciante Flávio Martins, também de Mulungu, afirma que os programas sociais do governo federal ajudaram a melhorar as vendas. “Antigamente, eu vendia apenas tomate e cheiro verde numa barraquinha. E hoje tenho a minha própria vendinha. O que está sustentando a população e o comércio são os programas do governo.”

Na mercearia, além de produtos para casa, frutas e verduras, ele também comercializa as sementes que Seu Raimundo e os agricultores da região usam. “Eu vendo as sementes para eles e depois compro as verduras para colocar no sacolão”, afirma Flávio. “Vamos progredindo juntos.”

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