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“Eu sempre quis ter uma medalha. E agora eu tenho”

BOLSA FAMÍLIA

Aos nove anos, Rafael sempre sonhou ser médico. Mas a astronomia o surpreendeu e, com ela, ele conquistou a primeira medalha de sua vida
publicado  em 16/12/2015 17h03
Foto: Divulgação/Pref Taboão da Serra (SP)

Foto: Divulgação/Pref Taboão da Serra (SP)

Brasília – O sonho de ser médico sempre perseguiu Rafael Alves Ferreira Muniz. Estudioso, a primeira opção do menino de 9 anos é permanentemente pelos livros. “Todos os dias eu chego da aula e sento para estudar, mesmo que não tenha prova. É o que eu gosto de fazer.”

Nas horas vagas, jogar bola com os amigos ou desbravar algum novo jogo no computador ficam em segundo plano. “Quando eu estou livre, gosto de fazer provas. Geralmente pego dos amigos ou da internet. É bom para testar meus conhecimentos.”

Uma nova paixão, no entanto, abrilhantou a vida de Rafael em 2015. Estimulado pela escola e apoiado pela mãe, ele passou a ver os planetas e o sistema solar com outros olhos. E foi daí que conquistou o primeiro grande feito de sua vida: ser um dos campeões da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.

“Foi uma grande conquista. Eu sempre quis ter uma medalha. E agora eu tenho. Meus pais ficaram orgulhosos de mim. E eu também”, conta. O garoto foi um dos 64 alunos da Escola Municipal Professora Ester Cordeiro de Souza, em Taboão da Serra (SP), consagrados na competição. Deste total, assim como Rafael, outros 14 estudantes são beneficiários do Bolsa Família.

Rafael ganhou uma medalha de prata. Essa foi a primeira vez que ele participou da Olimpíada de Astronomia, que nesta edição recebeu mais de 800 mil participantes de 16.575 escolas públicas e privadas de todo o país. “Agora eu quero participar de todas. No próximo ano, minha meta é trazer a medalha de ouro”, afirma. Após a conquista, o menino confessa um novo anseio profissional. “Também penso em ser professor. Quero dar aula de astronomia.”

Caçula de uma família de dois irmãos – o outro filho, Raimundo, tem 16 anos –, o garoto é o orgulho da mãe, Maria do Carmo da Silva Muniz. Aos 35 anos, ela luta diariamente para oferecer qualidade de vida aos dois filhos. Separada do marido, ela sustenta sozinha a família com os cerca de R$ 300 que ganha como ajudante de padaria em um mercado da cidade, complementados pelo benefício do Bolsa Família.

Ela garante que a prioridade em sua vida é cuidar dos filhos. “Meu patrão está perto de me demitir. Eu falto muito ao trabalho por causa dos meninos. É reunião na escola, consulta no médico. Sempre tem alguma coisa. Mas para mim não importa, largo tudo por eles.”

A família mora de favor na casa do ex-cunhado de Maria do Carmo. “Apesar de ser irmão do meu ex-marido, ele me entende e sabe que o problema não é comigo”, explica. Maria do Carmo ajuda com as contas de casa, como energia, água e gás. “Ele me ajuda muito. Se eu for demitida, graças a Deus tenho o Bolsa Família para me segurar. O dinheiro não é meu, é dos meus filhos. Uso apenas para comprar coisas para eles, como comida e roupa. Para mim eu não uso.”

Maria do Carmo também faz acompanhamento psicológico há cerca de um ano. Vivendo uma relação conturbada com o marido e pai dos filhos, que tem problemas com bebida alcoólica, ela sofreu depressão profunda e decidiu se separar. “Ele não me ajuda em nada, mas hoje vivo muito melhor sem ele. Eu venci e consegui sair da depressão, mas ainda preciso ir à psicóloga uma vez por semana.”

Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica – Este é o quarto ano que a Escola Municipal Professora Ester Cordeiro de Souza participa da competição e a primeira vez que leva tantas medalhas. No ano passado, foram seis. E nos dois primeiros não havia ganhado nenhuma.

A diretora da escola, Elisângela Ximenes, explica que o projeto de incentivo à participação dos alunos na competição é alinhado junto com as aulas de tecnologia, no laboratório de informática. “É passado um planejamento sobre temas a serem trabalhados e o mediador de informática prepara atividades referentes aos assuntos.”

Sobre o bom resultado deste ano, a diretora acredita que as atividades oferecidas ajudaram. “Os alunos acabaram se identificando com o projeto. Alguns já tinham feito a prova nos dois anos anteriores. Então, já tinham uma noção do que cairia na prova e do que deveriam estudar. Focamos nossas atividades à questão dos planetas e do sistema solar. E na semana da prova nós aplicamos um simulado.”

Os alunos também tiveram aulas semanais específicas de astronomia, onde assistiram vídeos sobre a Estação Espacial Internacional e estudaram o Sistema Solar. A escola agora planeja organizar uma visita a um planetário no próximo ano com todos os alunos.

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