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Construindo o futuro com as próprias mãos

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Ao buscar ajuda do Cras, que ela nem “sabia o que era”, Marluce mudou a vida sua e de seu filho. E hoje sonha com uma vida melhor, por meio do artesanato e da economia solidária
publicado  em 07/08/2015 15h59

Brasília  – O sorriso largo de Marluce Rosa de Sena Gomes, 65, revela a alegria ao mostrar o trabalho de artesanato, feito com muito amor. A voz serena conquista a todos, que logo vão se aproximando da banca para saber mais sobre as bolsas, travesseiros, bonecas e outras dezenas de mimos, que ela produz junto com outras 14 mulheres do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Dois Irmãos, bairro pobre em Recife.

Boa de conversa e desinibida, quem vê Marluce vendendo os produtos, não imagina que a situação era bem diferente há sete anos. A morte do marido da dona de casa foi um golpe duro na família, psicológica e financeiramente. Ela e o filho entraram em depressão. “Eu estava passando por um momento muito difícil. Meu filho era muito apegado ao meu pai.”

A solução de Marluce estava mais perto do que ela imaginava. “Eu não sabia o que era o Cras. Uma amiga me disse que eu podia ir lá e procurar ajuda”. Sem pensar muito, ela resolveu atravessar a rua e caminhar alguns metros até a unidade. Lá, a equipe técnica de assistentes e psicólogos começou a ajudar a família a encontrar seu próprio caminho. O filho participou de tratamento para deixar de ser dependente de drogas. Dona Marluce começou a frequentar o grupo de convivência de mulheres, onde fez novas amizades.

As habilidades em costura e artesanato chamaram a atenção das assistentes sociais. Junto com outras mulheres que frequentavam o Cras, foi convidada para participar do projeto Comunidade Solidária, estratégia de economia solidária que amplia a oportunidade de novas fontes de renda. “As meninas me chamavam para fazer os artesanatos, mas tive uma depressão muito forte. Eu dizia que não queria porque tinha muita dor de cabeça.”

A insistência das assistentes sociais valeu a pena. Em outubro do ano passado, Marluce participou de sua primeira reunião no projeto. Entre as que já participavam, eram poucas que sabiam costurar. A ex-dona de casa, agora artesã, não hesitou. Ela foi ensinando as amigas e o Cras ainda ofereceu algumas oficinas de artesanato. Assim, elas criaram as primeiras bolsas do projeto. “Sem dúvida o projeto melhorou minha vida. Foi muito bom, pra mim e para todas as mulheres.”

A coordenadora do Cras, Gisella Cavalcante, lembra que, em uma das encomendas, o grupo precisaria fazer centenas de bolsas, algo que ainda não tinha acontecido. Elas ficaram preocupadas, sem saber se iam “dar conta”. “A Marluce disse: a gente tem capacidade, sim, de pegar essas encomendas. Ela socializou o conhecimento de costureira e conseguimos finalizar as bolsas.”

Ao falar da nova profissão, os olhos da artesã brilham. Orgulhosa, ela explica que a renda ainda é pouca, porque estão começando, mas já faz diferença. “Na primeira feira, conseguimos R$ 900. Dividimos por todas e ainda colocamos um pouco no caixa para as próximas produções”, conta. Marluce hoje sonha com o futuro: “Se Deus quiser, vamos aumentar a produção. Ainda estamos engatinhando, mas é nosso propósito criar uma cooperativa.”

Comunidade Solidária – O projeto começou a ser desenvolvido no Cras Dois Irmãos para envolver as mulheres que frequentavam a unidade. Elas não tinham atividade em casa, mas se interessavam por trabalhos artesanais. “O grande diferencial desse projeto é que, aqui em Recife, é a primeira vez que existe um olhar da assistência social para a economia solidária enquanto alternativa de geração de renda”, explicou Gisella.

O Cras acompanha todo o processo. Além das oficinas de artesanato, o grupo recebe formação empreendedora em parceria com o Sebrae. “O objetivo é que elas se tornem autônomas, passem a gerar renda e quem sabe, mais pra frente, não precisem mais do Bolsa Família.”

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