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Acreditar para superar a pobreza

POLÍTICAS SOCIAIS

Estudo da Universidade Federal do Ceará avalia implicações psicossociais da situação de vida da população de baixa renda
publicado  em 07/08/2015 20h00

Brasília – No Brasil, um dos maiores obstáculos para a superação da pobreza é sua naturalização. Isso significa que, aqui, ela é considerada natural e o pobre, muitas vezes, é considerado culpado por sua condição. A pobreza pode destruir os sonhos, a voz e a capacidade de transformar a si mesmo, fazendo com que as pessoas se conformem com seu destino.

Para entender este efeito e avaliar como as políticas sociais podem ajudar as pessoas a melhorarem de vida, o Núcleo de Psicologia Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu o estudo Implicações Psicossociais da Pobreza. Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira (7) pela pesquisadora Verônica Ximenes, em Brasília.

De acordo com a pesquisadora, a pobreza não é só uma questão de renda, mas “leva em consideração aspectos da educação, saúde, habitação e a auto percepção sobre a situação. A condição de pobreza impede as pessoas a serem livres e escolherem o modo de vida que querem”.

Foram entrevistadas 417 pessoas na comunidade rural de Canafístula, em Apuiarés, e na comunidade urbana de Bom Jardim, em Fortaleza, ambas no Ceará. A pesquisa avaliou categorias relacionadas à opressão dos pobres: vergonha, humilhação, fatalismo e transtornos mentais comuns.

Na área rural, 45,9% dos entrevistados se consideraram pobres. Já no bairro urbano, esse índice cai para 28,1%. “Pra pessoa ser considerada pobre mesmo, é a pessoa não ter onde morar, não tem nenhuma alimentação adequada pra comer. Não tem aonde ela possa ter um socorro. São os moradores de rua. Ali eu considero uma pobreza realmente”, destacou um dos participantes da pesquisa em Bom Jardim.

No estado nordestino, a estiagem também gera impactos na vida das famílias. “A seca causa consequências relevantes no bem-estar e saúde psicológica de quem a vivencia, em especial aos moradores de comunidades rurais. Pode trazer prejuízos significativos sobre a saúde ao interferir na manifestação da depressão, autoeficácia e autoestima”, destaca a publicação.

Em Canafístula, 86,4% dos entrevistados afirmaram que eles ou suas famílias já passaram por um período de seca. Em Bom Jardim, o resultado foi de apenas 35,7%. O Bolsa Família, que atende a 64,7% dos entrevistados, ajuda a conviver com a estiagem. “Ouvíamos relatos de que, principalmente na seca, não estavam passando fome, pois o mínimo elas tinham para comer. A renda delas era dos programas de transferência de renda”, explica Verônica Ximenes.

Preconceito – A vergonha e a humilhação também fazem parte do dia a dia da população mais pobre. Em Bom Jardim, 77% dos entrevistados acreditam que os pobres são envergonhados e humilhados pelos que não são pobres. Em Canafístula, o índice é de 74,4%. “Mas a gente ver que a gente é discriminado mesmo, a gente não tem boa vestimenta, não tem um bom carro, as pessoas... Você chegar num lugar com carro bom as pessoas já olha você com outros olhos né, só porque você tem aquele carro. É cultura do povo, né, infelizmente!”, conta um dos entrevistados.

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